Comido o folar e o cabrito, arrumadas as amêndoas e encontrados todos os ovos, é tempo de olhar para o que mais reserva o calendário. É que hoje não é apenas domingo de Páscoa. É também dia 27 de Março, Dia Mundial do Teatro. E nada melhor para fazer à tarde do que ir celebrá-lo. A festa, claro, é feita no palco, e o Observador deixa-lhe algumas sugestões para que não lhe escape nada.

As portas do Teatro Nacional D. Maria II, em Lisboa, abrem-se no Rossio de par em par: hoje a entrada é livre. Às 16h30 pode assistir a “Judite”, peça de Rui Catalão, com Ana Guiomar, Cláudia Gaiolas, Tiago Vieira e Rui Catalão, que recupera a história do Velho Testamento, na qual Judite entra no acampamento de um exército para degolar o general, salvando assim o seu povo da destruição. Às 19h, é tempo de ver, ou rever, a premiada peça de Tiago Rodrigues, “Três Dedos Abaixo do Joelho”, na qual o agora director artístico do teatro do Rossio usa as palavras escritas pelos censores do Estado Novo nos seus relatórios para criar uma dramaturgia que visa redescobrir o perigo e a importância do teatro na sociedade. Com Gonçalo Waddington e Isabel Abreu.

Já no Teatro Nacional de São João, no Porto, a festa também se faz com entrada livre para assistir a “Águas Profundas” + “Terminal de Aeroporto”, com Nuno M. Cardoso a encenar os textos do britânico Simon Stephens. “Águas Profundas” debruça-se sobre três casais que, nas redondezas de Heathrow fazem uma escolha que irá definir o seu futuro. Em “Terminal de Aeroporto” podemos escutar um monólogo de uma mulher que assistiu a um esfaqueamento de um adolescente sem nada poder fazer – mas que sente uma grande culpa por não o ter impedido. Com, entre outros, Albano Jerónimo, Maria João Luís e Nuno M. Cardoso (Águas Profundas) e Rita Brutt (Terminal de Aeroporto).

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Em Almada, o Teatro Joaquim Benite convida o público a assistir a um ensaio da peça “Frei Luís de Sousa”, de Almeida Garrett que, com encenação de Rogério Carvalho, se estreia na próxima semana, a 1 de Abril, ou à peça “Onde o Frio se Demora”, de Ana Cristina Pereira, encenada por Luísa Pinto. Há, também, o lançamento do livro Peter Stein: a Palavra e a Cena e será lida a mensagem do Dia Mundial do Teatro, que este ano é assinada pelo encenador russo Anatoli Vassiliev.

Mas há mais: no Teatro Aberto, em Lisboa, sobe pela última vez ao palco “Boas Pessoas”, de David Lindsay-Abaire, encenada por Marta Dias e protagonizada por Maria João Abreu; no Teatro da Trindade, onde o público poderá conhecer o edifício numa visita guiada, é possível assistir a “Instruções para Voar”, um texto de Lídia Jorge, encenado por Juni Dahr; no Tivoli BBVA sobe ao palco “Arte”, de Yasmina Reza, com João Lagarto, Vítor Norte e Adriano Luz; no Mosteiro São Bento da Vitória, no Porto, uma última representação de “Beijo”, uma encenação de Jorge Pinto com textos de, entre outros, como Manuel António Pina, Mia Couto e Ana Luísa Amaral; no Teatro Garcia de Resende, em Évora, pode ver-se “Estes Autos que Ora Vereis”, a partir de Gil Vicente e, em Coimbra, o Teatrão apresenta “Dom Quixote (de Coimbra)”, a partir da obra de Cervantes, numa dramaturgia de Jorge Louraço Figueira encenada por Isabel Craveiro.