A Fundação Calouste Gulbenkian, em Lisboa, está a convocar programadores, gestores, criativos, profissionais de saúde ou outras pessoas com interesse por tecnologia a desenvolver soluções que contribuam para melhorar a qualidade de vida dos mais velhos, no Hack For Good, uma maratona de desenvolvimento tecnológico (hachathon) que vai decorrer a 23 e 24 de abril. A equipa que apresentar a melhor ideia recebe 5.000 euros em prémio, a segunda recebe 2.000 e, quem quiser, já se pode inscrever.

“A Fundação Calouste Gulbenkian vê na tecnologia um facilitador, um criador de soluções inovadoras e escaláveis para os problemas sociais vividos pela nossa sociedade. A população mundial está a envelhecer a um ritmo acelerado. Esta alteração demográfica não é necessariamente má, mas é uma mudança significativa para a qual é necessária uma preparação o quanto antes”, explicou fonte da organização do evento ao Observador.

A iniciativa pretende reunir 150 participantes de áreas como programação, design, engenharia, gestão e outros profissionais, que estarão em contacto com seniores, profissionais da área da saúde, investigadores e cuidadores. Em 30 horas, devem desenvolver uma solução focada no tema do envelhecimento e as equipas devem ser multidisciplinares.

“Quando se fala em envelhecimento, temos tendência a não pensar em nós próprios, mas sim em pessoas mais velhas que nós. Na verdade, todos estamos a envelhecer. Os seniores são cada vez mais ativos, abertos a novas tecnologias e exigentes em relação a atividades, iniciativas e serviços adequados a esta nova realidade. Apesar destes factos, ainda persistem uma série de complicações relacionadas com o envelhecimento. Envelhecer é um processo que engloba alterações biológicas, psicológicas e sociais”, explicou a organização do evento.

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Para cumprir com esta missão e ligar a área tecnológica a desafios sociais, a Fundação Calouste Gulbenkian aliou-se a empresas como a IBM, HP, Siemens, Samsung, Microsoft e NOS e parceiros como o Programa Active and Assisted Living (AAL), o Instituto Fraunhofer e a APDC.

O número de idosos ultrapassou o número de jovens pela primeira vez, em Portugal, no ano 2000, segundo o Instituto Nacional de Estatística, e ocupa agora o quinto lugar, entre os 28 Estados-membros, no índice de envelhecimento da União Europeia. “O envelhecimento pode ser um processo positivo, se acompanhado de oportunidades contínuas de saúde, participação e segurança”, acrescentou a organização do evento.