Tem acesso livre a todos os artigos do Observador por ser nosso assinante.

Atualizado às 10h50 de 30/03/2016

Um tiroteio no bairro da Ameixoeira, em Lisboa, provocou cinco feridos — três polícias e duas mulheres — segundo confirmou a polícia ao Observador. Os polícias integram a 3ª Esquadra de Investigação Criminal de Lisboa e já estavam no bairro quando o tiroteio entre duas famílias começou. Quando se deslocaram ao local, acabaram por ser atingidos. E ainda dispararam tiros em sua defesa. O caso está agora a ser investigado pela Policia Judiciária e as vítimas estão livres de perigo.

A Inspeção-Geral da Administração Interna (IGAI) já anunciou a abertura de um inquérito para apurar “todos os factos” relacionados com o tiroteio.

“Na sequência de uma rusga, os polícias foram chamados para o local, foram recebidos com tiros e responderam com tiros em defesa”, explicou um elemento da PSP ao Observador. Uma outra fonte precisou que os polícias à civil estavam muito próximos do local do tiroteio e deslocaram-se imediatamente assim que houve o alerta. “Ainda não tinham saído do carro quando houve os primeiros disparos”, disse. O tiroteio começou às 19h40 na sequência de uma rixa entre famílias de etnia cigana, na Rua António Vilar.

As vítimas, três polícias e duas mulheres, foram transportadas para o Hospital de Santa Maria logo após o tiroteio. No bairro da Ameixoeira foi montada uma mega operação policial em busca dos suspeitos. Foram feitas buscas em vários apartamentos, mas só foi encontrada uma caçadeira. A Polícia Judiciária esteve no local com elementos do Laboratório de Polícia Científica para recolher elementos de prova. Desconhece-se, para já, se a caçadeira apreendida foi a usada no tiroteio.

PUB • CONTINUE A LER A SEGUIR

Mostrar Esconder

A Alta de Lisboa é um bairro do concelho de Lisboa que abrange uma área de 300 hectares a Norte da Segunda Circular e a poente do Aeroporto da Portela. O bairro está dividido em duas freguesias, o Lumiar e Santa Clara, composta por Ameixoeira, zona onde se deu o incidente, e Charneca.
O projeto da Alta de Lisboa teve início em 1984 a partir de uma parceria entre a Câmara Municipal de Lisboa com a Sociedade Gestora da Alta de Lisboa. É uma zona onde habitam moradores provenientes de diferentes classes sociais e desde a criação do projeto existem vários problemas neste bairro relacionados com a criminalidade e o tráfico de droga.

Informações iniciais, na noite de terça-feira, davam conta da morte de uma mulher, como o Observador e vários meios de comunicação noticiaram, mas a informação acabou por ser corrigida mais tarde na versão oficial dada pela PSP. O subcomissário Hugo Abreu, porta-voz do Comando da PSP de Lisboa, adiantou que os três agentes baleados estão “livres de perigo” e as duas mulheres encontram-se em “situação estável”.

Esta manhã de quarta-feira nova atualização do estado de saúde das vítimas: dois dos agentes que ficaram feridos tiveram alta ainda durante a madrugada, enquanto o terceiro realizou uma cirurgia, mas encontra-se “livre de perigo” e “em situação estável”, referiu à Lusa o porta-voz da Direção Nacional da PSP, Hugo Palma.

Hugo Palma precisou que dois dos agentes, entre os 30 e os 40 anos, foram atingidos na zona da cabeça, embora sem gravidade, e o terceiro num braço, tendo de ser operado. Os três polícias eram os que estavam mais perto do bairro quando houve o alerta do tiroteio.

Em relação às duas mulheres civis, uma foi atingida no abdómen e a outra na zona da cabeça/pescoço. O responsável policial adiantou que foram igualmente alvo de intervenções cirúrgicas, encontrando-se ambas estáveis.

Operação policial terminou perto da meia-noite

Depois do tiroteio, a PSP montou uma mega operação policial que só terminou perto da meia-noite. Vários elementos da investigação criminal da PSP efetuarem várias buscas nos prédios da zona para encontrar e identificar os autores dos disparos. Entraram de edifício em edifício à procura dos envolvidos no incidente, enquanto elementos da Intervenção Rápida cercavam o bairro e controlavam as entradas e saídas.

Elementos da Brigada de Homicídios e do Laboratório de Polícia Cientifica da Polícia Judiciária também estiveram no local a recolher elementos de prova para investigar. Os crimes praticados com armas de fogo são da competência exclusiva desta Polícia, por isso a investigação do crime passa agora para as mãos da Judiciária.

Enquanto decorria a operação no bairro, vários familiares das vítimas iam chegando ao Hospital de Santa Maria para saber do estado de saúde das mulheres atingidas. Também os ministros da Saúde, Adalberto Campos Fernandes, e da Administração Interna, Constança Urbano de Sousa, estiveram naquela unidade hospitalar ainda na noite de terça-feira.

Esta manhã de quarta-feira o local do crime já estava pacificado, depois de uma noite em que a polícia referiu que o ambiente foi “tenso”.

Bairro cercado durante a noite

A noite foi tensa no bairro da Ameixoeira, em Lisboa. Logo após o tiroteio, o bairro foi cercado pela polícia que controlava a entrada e saída de pessoas no bairro.

A polícia pediu aos jornalistas para não se aproximarem muito do local do tiroteio porque “o ambiente está tenso”. Uma jornalista do Observador na Alta de Lisboa indicou haver pessoas a gritar para os jornalistas e para os carros das equipas dos meios de comunicação social. O bairro já tem historial de situações semelhantes.

mms_img-1620992410

Rua António Vilar, onde as rixas aconteceram. Imagem Observador.