Arquitetura

Morreu a arquiteta Zaha Hadid. Conheça algumas das suas obras

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Era uma das figuras mais importantes da arquitetura contemporânea. Britânica, nascida no Iraque, morreu esta quinta feira em Miami. Colegas de profissão lembram acima de tudo a arquiteta "talentosa".

Zaha Hadid, uma das figuras mais importantes da arquitetura contemporânea, morreu esta quinta-feira, em Miami, na sequência de um ataque cardíaco. A notícia foi confirmada pela sua firma de arquitetos, a Zaha Hadid Arquitects, que, num comunicado, esclareceu que Hadid estava internada num hospital devido a uma bronquite, contraída no início desta semana.

Sofreu um ataque cardíaco súbito enquanto estava a receber tratamento no hospital”, refere a nota, citada pelo Guardian. A arquiteta tinha 65 anos.

Nascida a 31 de outubro de 1950, em Bagdade, no Iraque, Hadid tornou-se na primeira mulher a receber o Prémio Pritzker de Arquitetura, a distinção mais importante dentro da área, e a medalha de ouro do Real Instituto dos Arquitetos Britânicos.

5 frases de Zaha Hadid

  1. “O meu trabalho não está dentro da categoria do aceitável. Talvez por ser mulher. E árabe. Sempre houve um certo preconceito em relação a essas coisas.”
  2. “Não acho que a arquitetura se possa ensinar. Apenas pode inspirar as pessoas.”
  3. “Existem 360 graus, por isso, porque é que me haveria de restringir a um?”
  4. “Infelizmente, por mais que quiséssemos, a arquitetura não voa. É o que tem de diferente — está presa à gravidade.”
  5. “Nunca aceitei um não. Nunca me sentei e disse ‘OK, acabou para mim’.”

Zaha Hadid cresceu num dos primeiros edifícios de Bagdade inspirado pela escola de arte alemã Bauhaus, numa altura em que o modernismo era sinónimo de glamour no Médio Oriente. Começou por estudar matemática, na Universidade Americana de Beirute, tendo-se depois mudado para Londres para frequentar a Architectural Association School of Architecture e lançar a sua carreira como arquiteta.

Em 1979, fundou a sua própria empresa de arquitetura, a Zaha Hadid Arquitects, à medida que ia ganhando reputação a nível mundial pelos seus trabalhos desafiadores e inovadores, como o “The Peak” (1983), em Hong Kong, o “Kurfürstendamm” (1986), em Berlim, e a Ópera de Cardiff (1994), no País de Gales.

Mais recentemente, foi responsável pelo projeto do Centro Aquático das Olimpíadas de Londres (2012), pela estação ferroviária de Nápoles (2013), em Itália, e pelo edifício Investcorp do St. Antony’s College, da Universidade de Oxford.

Uma arquiteta diferente de todas as outras

Em declarações ao jornal britânico, Richard Rogers, arquiteto responsável pelo projeto do Centro Pompidou, em Paris, e da Millenium Dome, em Londres, disse que a notícia da morte da arquiteta era “mesmo, mesmo terrível”. “Era uma grande arquiteta, uma mulher e uma pessoa fantástica. Dos arquitetos emergentes dos últimos anos, ninguém teve mais impacto do que ela. Ela lutou pela sua posição enquanto mulher, lutou por cada centímetro. É uma grande perda.”

Graham Morrison, arquiteto principal da Zaha Hadid Arquitects, descreveu Hadid como sendo “tão diferente que não existia ninguém como ela”. “Ela não encaixava, e não digo isto de forma pejorativa. Ela vivia num mundo só dela e era extraordinária.”

Contacto pelo Observador, João Luís Carrilho da Graça lembrou a arquiteta “muito talentosa, com um grande sentido plástico e artístico e, para os nossos parâmetros atuais, ainda relativamente nova”. “Construiu inúmeros edifícios e tinha uma visão em relação a arquitetura um pouco inspirada no movimento. No princípio, as obras ainda não estavam completamente aceitas e, muitas vezes, eram alvo de uma grande controvérsia”, salientou o arquiteto.

Apesar de ser “muito talentosa”, Carrilho da Graça admitiu que não encontrava nas obras de Hadid uma sensação de “completa maturidade”. “O último edifício que visitei foi o MAXXI, em Roma. Não o achei ao nível da promessa e da intensidade dos seus desenhos e da obra gráfica. Ainda tinha muito para conseguir até que a sua obra ganhasse uma espécie de universalidade que ainda não tinha.”

Para Manuel Graça Dias, Zaha Hadid era sem dúvida “talentosa”, embora admita que não é fã do seu trabalho. “Não subscrevo muito o método que usava”, disse o arquiteto ao Observador, criticando a “quase standartização” das suas obras. “Acho que a arquitetura é muito mais do que isso. Claro que existe sempre o contributo pessoal de cada autor e a crítica conseguirá encontrar pontos em comum, mas ainda assim a arquitetura é uma arte que tem como característica base cada projeto ser um projeto diferente. Um projeto nunca pode ser uma repetição de outro projeto.”

“Acompanhei mais ou menos o trabalho dela, visitei poucas coisas, mas aquelas que visitei criaram-me emoção mais a nível escultórico do que arquitetónico. A escultura provoca-nos emoções, mas não é propriamente lugar para vivermos. A arquitetura deve provocar-nos emoções, mas também deve ser um lugar para vivermos“, salientou Manuel Graça Dias.

Para o arquiteto português, “muita da arquitetura da Hadid estava mais perto do descompromisso que a escultura pode ter do que o compromisso que a arquitetura deve ser”.

Nas redes sociais, também se multiplicaram as reações. Boris Johnson, presidente da Câmara Municipal de Londres, disse que era “muito triste saber da morte de Zaha Hadid”. “Ela era uma inspiração e o seu legado prevalece em edifícios lindíssimos em Stafford e no mundo inteiro”, escreveu Johnson no Twitter.

A empresa internacional de arquitetos AGi também prestou homenagem a Hadid, “uma grande inspiração” através do Twitter. Na mesma rede social, as Serpentine Galleries, em Londres, cujo novo edifício foi projetado por Hadid escreveram: “Estamos devastados por saber das notícias trágicas da morte da nossa grande amiga e curadora Zaha Hadid. Ela era uma verdadeira pioneira e uma grande visionária”.

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