O governo francês enfrenta nesta quinta-feira uma greve geral, com mais de 250 manifestações em todo o país, uma semana antes de ir a votos o projeto-lei laboral preparado pela ministra do trabalho, Myriam El-Khomri. A greve estende-se aos transportes públicos municipais, à rede ferroviária nacional, ao tráfego aéreo, à televisão pública e ao ensino público, entre outros.

Esta é a segunda greve deste mês, depois de ter sido feita outra a 9 de março, que contou com menos participação do que aquilo que se espera da paralisação desta quinta-feira. A 9 de março, estiveram nas ruas entre 200 mil e 450 mil manifestantes.

A greve está a ser promovida pela CGT, a maior confederação sindical francesa, e por outras três centrais. A estas, juntam-se organizações juvenis como a Unef, a maior organização estudantil do país, para além da Fidl e UNL.

“É certo que esta lei não permitirá a necessária criação de empregos, generalizará a precariedade e agravará as desigualdades laborais que atingem sobretudo as mulheres e os jovens”, disseram as sete organizações num comunicado conjunto.

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A CFDT, o segundo maior sindicato francês, não participa nesta greve. “Este projeto-lei parece-nos verdadeiramente útil para a modernização do diálogo social e para a proteção do assalariados”, disse a vice-presidente daquela confederação, Véronique Descacq.

Uma das questões disputadas no projeto-lei do trabalho, coloquialmente conhecido como “El-Khomri”, é a proposta de redução do pagamento das horas extraordinárias, dando às empresas a possibilidade de negociarem os valores com os seus trabalhadores. Além disso, se for aprovada, esta legislação alargará os despedimentos por justa causa às empresas que tiverem quebras nos resultados ou que estiverem em dificuldades económicas. As multinacionais presentes em França poderão despedir trabalhadores quando estiverem nessa situação, mesmo que tenham lucros noutros países.