Num ano em que a realidade virtual parece ser a grande aposta, a Microsoft centra-se numa outra tecnologia: bots. Trata-se de aplicações de software que desempenham tarefas rotineiras, como se fossem uma pessoa, através de comandos de voz ou de texto, utilizando inteligência virtual.

O conceito não é novidade, mas foi apresentado esta quarta-feira como o eixo principal da Microsoft para os seus próximos lançamentos durante a conferência Built, um evento anual da empresa dirigido aos quadros que desenvolvem as diferentes plataformas da empresa.

De acordo com Satya Nadella, diretor executivo da Microsoft, a linguagem natural será a próxima maneira como nos vamos relacionar com os computadores, smartphones, tablets e outros dispositivos digitais.

A linguagem natural é a nova interface, os bots são as novas apps e os assistentes virtuais são as novas meta-apps, capazes de atuar de forma pró-ativa para fazer a nossa vida mais simples”, explicou em citação do jornal El Mundo.

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Segundo relatou Nadella durante a apresentação, a ideia é que, se uma pessoa queira pedir uma pizza à domicílio, ao invés de utilizar um site ou uma aplicação através de comandos de texto e clicks, diga simplesmente: “Envie à minha casa uma pizza de pepperoni“.

A estratégia da Microsoft com os bots passa pela Cortana, a ajudante de inteligência artificial da Microsoft, semelhante à Siri nos iPhones, lançada com o Windows 10 no último ano. A assistente virtual vai receber uma nova versão na primeira grande atualização do sistema operativo, prevista para junho. A Cortana também vai estar disponível para a consola Xbox One.

A empresa vai, ainda, disponibilizar aos programadores a tecnologia necessária para que desenvolvam novos serviços e aplicações centradas em habilidades cognitivas como o reconhecimento de objetos, buscas semânticas ou transcrição de voz e texto. Com tecnologia Microsoft, claro. O objetivo é que estes bots “conversem” entre si para realizar de maneira autónoma atividades quotidianas, desde a entrega de comida ao domicílio até a realização de reservas de hotéis.

A primeira aplicação que vai “falar” com o Cortana será o Skype. Segundo descreve o El Mundo, o software será capaz de usar informação contextual retirada de uma conversa entre utilizadores para realizar certas funções, solucionar problemas o fazer buscas de serviços ou informações.

Nadella, no entanto, reconheceu os desafios em desenvolver tecnologias que utilizem inteligência artificial. Citou o caso do Tay, programa de inteligência artificial da Microsoft lançado este mês, que estava programado para aprender novos conceitos a partir de conversas com utilizadores no Twitter. Contudo, em menos de 24 horas, Tay começou a publicar mensagens de conteúdo racista, antissemita e homofóbico. O diretor executivo da Microsoft não mencionou diretamente a experiência, mas destacou no seu discurso: “devemos deixar na tecnologia o melhor da humanidade, não o pior”, segundo o El Mundo.