E se pudesse ver concertos de artistas nacionais e internacionais em direto, no seu telemóvel, através de uma aplicação portuguesa, interagindo ainda com os músicos enquanto estes atuam? É esse o conceito da Best Seat, uma app gratuita, que disponibilizará esta terça-feira, em direto e em exclusivo, um concerto com o músico português Agir.

O concerto, agendado para as 21h00, poderá ser acompanhado por todos os fãs que descarreguem a aplicação, que se encontra disponível para iOS e Android, nas lojas da Apple — App Store — e da Google — Play Store. E marca um “novo ciclo” para a Best Seat e para a startup nacional que gere o projeto, a Front Seat, como explica ao Observador um dos responsáveis pelo projeto, Frederico Fernandes, que já havia trabalhado anteriormente num projeto com um conceito semelhante, o Meo Like Music:

O projeto [Best Seat] nasceu em 2011, a partir de um desafio que nos foi colocado por uma marca de telecomunicações portuguesa [a MEO]. Na altura estava numa empresa que trabalhava ativação de marca. Percebi o potencial desta plataforma (…), transformei o projeto e nos últimos anos tenho estado a trabalhar num produto sustentável, com uma base sólida, para conseguirmos explorar o mercado estrangeiro e direcionar esta plataforma [Best Seat] para audiências mundiais

A host da aplicação é a cantora luso-britânica Mia Rose, que em outubro de 2015 estreou (e testou) a aplicação em concerto. Essa experiência foi importante para que decidisse aceitar o convite da Best Seat, revelou a cantora ao Observador:

Foi uma experiência muito, muito gira, porque o conceito é bastante inovador e faz com que toda a gente consiga ver o concerto em simultâneo, em tempo real. Quando estamos a atuar, conseguimos ver os aplausos e os comentários [dos utilizadores], podemos responder aos comentários em direto. (…) Foi muito gratificante para mim, como artista. Depois convidaram-me para ser a host da aplicação, disse logo que sim porque adoro o projeto

600 mil euros investidos, à procura de patrocinadores

A Best Seat, explica Frederico Fernandes, conta já com um investimento de 600 mil euros, feito por três sócios de Frederico, que “acreditaram no projeto”: Tiago Magalhães, Bartolomeu Costa Cabral e Luís Magalhães, presidente da Deloitte em Portugal. Esse investimento “tem permitido apostar” na aplicação e deverá aumentar até maio, altura em que o responsável prevê que se aproxime de um valor mais redondo: 1 milhão de euros.

A estratégia da Best Seat passa, por agora, por implementar o produto no mercado, tendo como objetivo a angariação de patrocínios, que financiem o projeto. Além do concerto de Agir, a empresa anunciou ainda ter chegado a acordo com “uma das maiores editoras mundiais”. O nome desta editora ainda não foi revelado porque “ainda não está formalizado”, explicou Frederico Fernandes, que detalhou os contornos do acordo:

Criámos contactos para chegar a uma editora [internacional] cujo nome ainda não posso revelar, porque ainda não está formalizado, ainda não temos essa autorização. A proposta [dessa editora] foi que nós fizéssemos uma plataforma que fosse gratuita para os utilizadores. Em contrapartida, [eles] garantiram o seu rooster [leque] de artistas, para fazermos os concertos, e [está previsto que ajudem a Best Seat a chegar a] marcas que patrocinassem o projeto

Neste momento, explica o responsável, a Best Seat e a dita editora encontram-se “em fase de contratos”. O objetivo é revelar o nome até inícios de maio, até porque, nesse mês, “temos um concerto para anunciar com um artista” ligado à editora. Quanto a objetivos de faturação, Frederico Fernandes revela que estes estão definidos, mas não os quis adiantar: “Essa parte está bem estudada mas prefiro não avançar com o valor”, afirmou.