Entra o mês de abril e Júpiter continua a ser o planeta em destaque: depois de ter estado em oposição ao Sol em março, mantém-se como o planeta mais brilhante durante a noite. Mas não fica sozinho neste festival noturno: Marte e Saturno, quase de mão dada, também vão estar visíveis durante a noite e à medida que sobem no céu noturno vão-se mostrando mais brilhantes. Já Vénus, normalmente o astro mais brilhante a seguir ao Sol e à Lua, só aparece de madrugada (até dia 7) e não consegue competir com os primeiros raios de Sol.

Olhando a este, depois do pôr do sol, será possível ver Júpiter, que passará grande parte da noite na constelação de Leão. Mas não o confunda com Sirius, a estrela que aparecerá mais brilhante no céu, alerta o site EarthSky. O planeta dominará a metade este do céu, enquanto a estrela da constelação Canis Major (Cão Maior) estará mais para oeste e com um brilho que parece piscar as cores do arco-íris (é o efeito da luz a atravessar a atmosfera da Terra). E tenha atenção, Júpiter tem mais um presente este mês: quem tiver um telescópio pode ver os quatro satélites naturais – Io, Europa, Ganimedes e Calisto – e a forma como se movimentam em torno do planeta (pode segui-las aqui).

Um vídeo partilhado pela NASA (agência espacial norte-americana) com os fenómenos no céu de abril, incluindo o movimento das luas de Júpiter.

À medida que o mês for avançando, Júpiter vai parecendo menos brilhante, mas Marte vai aumentado o brilho. Ainda que não seja tão brilhante como Júpiter, Marte vai duplicar o brilho durante o mês de abril e até ao fim de maio quadruplicar (quando comparado com o início deste mês). Em maio, quando a Terra passar entre Marte e o Sol, e o planeta vermelho terá o seu brilho máximo. O planeta batizado em homenagem ao deus romano da guerra consegue chegar a 80 vezes o brilho que tem nos momentos menos brilhantes.

Por agora, olhe para sudeste e procure Marte, Saturno e a brilhante estrela Antares no céu mesmo antes do nascer do sol. Marte estará na constelação de Escorpião, à qual pertence Antares – “a rival de Marte”, pela cor que apresenta -, mas durante o mês vai viajar para a constelação de Ofiúco, onde agora se encontra Saturno (que se identifica pela cor dourada e brilho fixo).

Do lado oposto, a oeste, e logo após o pôr do sol, tente ver Mercúrio na constelação de Carneiro. Os outros três planetas do sistema solar não se deixarão ver tão bem: Vénus, constelação de Peixes a sudeste é ofuscado pelo brilho do nascer do Sol, Úrano (também na constelação de Peixes) e Neptuno (na constelação de Aquário) só podem ser visto com telescópio.

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Abril também terá chuva de estrelas, mas a notícia mal dá para nos animar. A Líridas, que parecem sair de um ponto da constelação de Lira, é “umas das chuvas de meteoros de menor intensidade”, refere o Observatório Astronómico da Faculdade de Ciências da Universidade de Lisboa (OAL/FCUL). Além da baixa intensidade, com um máximo de 18 meteoros por hora, o pico de atividade no dia 22, em plena Lua cheia. Ainda assim, se quiser ver os meteoros que resultam da passagem do cometa Tatcher, tente entre os dias 16 e 25 de abril.

A partir de 19 de abril, e até 28 de maio, a Terra atravessará o rasto deixado pelo cometa Halley, que passou perto da Terra em 1986. As poeiras que entram na atmosfera terrestre são responsáveis pela chuva de meteoros das η Aquáridas, que parecem sair da constelação de Aquário. “Será muito difícil observar as η Aquáridas, pois a constelação só começa a nascer depois das seis horas da manhã a sudeste, já próxima do crepúsculo civil”, nota o OAL/FCUL.

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