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Grécia

A Grécia ainda está longe de alcançar “um programa coerente”, informa Christine Lagarde

Christine Lagarde informou que as negociações entre o Fundo Monetário Internacional e a Grécia ainda estão longe de terminadas. Lagarde realça que a Grécia necessita de "mais medidas de ajustamento".

ETIENNE LAURENT/EPA

A diretora-geral do Fundo Monetário Internacional (FMI), Christine Lagarde, afirmou esta segunda-feira que as negociações com Atenas estão ainda longe de chegar a um programa coerente.

“A minha visão das negociações é a de que estamos ainda a uma boa distância de um programa coerente que eu possa apresentar ao nosso conselho de administração”, disse Lagarde numa carta enviada ao primeiro-ministro grego, Alexis Tsipras, e que foi divulgada esta segunda no ‘site’ do FMI.

Lagarde respondia a um pedido de explicações de Atenas, após a WikiLeaks ter publicado no sábado uma alegada transcrição de uma teleconferência entre dois responsáveis do FMI, na qual discutem a estratégia para a Grécia aceitar mais cortes orçamentais e para levar a Alemanha a ceder a uma nova reestruturação da dívida.

O documento então divulgado pelo portal identifica os interlocutores como o diretor de assuntos para a Europa do Fundo Monetário Internacional (FMI), Poul Thomsen, e a chefe da missão da instituição na Grécia, Delia Velculescu, tendo a conversa acontecido a 19 de março de 2016.

Na conversa, ambos os responsáveis se mostram muito exasperados com o ritmo lento das negociações quanto às reformas a concretizar pelos gregos e a pouca pressão por parte das instituições e parceiros europeus. Os membros do FMI falam também sobre a estratégia a adotar nas negociações do terceiro programa de resgate para o FMI fazer valer a sua posição.

Na carta divulgada, Lagarde referiu ter já ter indicado, repetidamente, que o FMI não pode apoiar “um programa [de ajuda financeira] que não seja credível e baseado em hipóteses reais”.

Neste sentido, a dirigente do FMI realça que a organização “forçará a Grécia a adotar [ainda] mais medidas de ajustamento económico”.

Já do que se depreende das transcrições da conversa revelada este sábado, a instituição liderada por Christine Lagarde defende metas orçamentais mais exigentes, que implicam maiores cortes de despesa, como um excedente primário orçamental de cerca de 3,5% do Produto Interno Bruto (PIB), e propõe um alívio da dívida grega.

Durante a conversa, Poul Thomsen lembra que, no passado, os gregos só aceitaram ceder às exigências quando “estavam prestes a ficar sem dinheiro e a entrar em incumprimento”. “E isso é provavelmente o que vai acontecer de novo. E, neste caso, arrasta-se até julho e claramente os europeus não vão ter quaisquer discussões durante o mês anterior ao ‘Brexit'”, acrescentou o responsável do FMI, em referência ao referendo britânico marcado para 23 de junho, que vai decidir sobre a permanência do Reino Unido na União Europeia.

Thomsen fala ainda da reestruturação da dívida grega, que há bastante tempo o FMI defende, e da forma como levar a Alemanha a aceitá-la. “Basicamente, nós a certa altura dizemos.’Olhe, senhora Merkel, tem um desafio e tem de pensar o que lhe traz mais custos. Ir em frente sem o FMI e, aí o parlamento alemão irá questionar ‘O FMI não participa?’, ou escolher o alívio da dívida que nós pensamos que é necessário para estarmos dentro'”, afirmou, citado na transcrição disponibilizada pela WikiLeaks na sua página na internet.

Na segunda-feira são retomadas as negociações entre os credores internacionais da Grécia, após uma pausa de duas semanas, estando previsto que Delia Velculescu viaje esta segunda para a capital grega.

O terceiro programa de resgate à Grécia foi aprovado no verão de 2015, sendo que em janeiro deste ano o Governo grego aceitou o envolvimento do FMI.

A Alemanha tem insistido na participação do FMI, uma vez que considera que esta será mais exigente com a Grécia na execução de reformas.

Para aceitar estar financeiramente envolvido no resgate, no valor de 86 mil milhões de euros, o FMI – que atualmente presta assistência técnica – exige de Atenas várias reformas, nomeadamente nas pensões, mas também que a zona euro aceite a renegociação da dívida pública do país.

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