A reunião do Conselho de Estado pode ter dado nas vistas pela ausência de três figuras — Mário Soares, Jorge Sampaio e ainda o presidente do Governo Regional dos Açores, Vasco Cordeiro –, mas houve uma presença que se destacou. Falamos, claro, da gravata de seda azul que Francisco Louçã levou esta quinta-feira ao Palácio de Belém.

Em causa está o homem que deu que falar pela falta de gravata quando se sentou pela primeira vez, em 1999, no plenário do Parlamento. Já lá vão mais de 15 anos e, desta vez, parece que Louçã optou por cumprir as regras de etiqueta.

“É um Conselho de Estado e há outro tipo de protocolo. As pessoas não podem ir contra o protocolo. Não levar gravata seria completamente deselegante”, começa por dizer Xana Guerra, buyer da Fashion Clinic e consultora de moda especializada na área masculina com mais de 20 anos de experiência. Foi ela que já antes disse ao Observador que a gravata “é um acessório que transmite autoridade”, não que o termo se aplique, a seu ver, nesta situação.

Já o também consultor de imagem Pedro Crispim assegura que a gravata azul tem dois significados. Não só reflete o maior cuidado de Louçã com a sua própria imagem, como passa uma mensagem — direta ou indireta — de “harmonia e tranquilidade” dada a simbologia da cor. “Nada na política é por acaso, nem a imagem dos próprios políticos”, assegura Crispim. “Acredito que existe um objetivo para o uso da gravata. Por algum motivo ele passou de uma imagem muito mais livre para uma à qual os políticos já nos habituaram.”

“Ele também tem noção de onde vai, obviamente sabe das coisas”, desvaloriza a consultora, que assegura que a “irreverência também tem limites”. Apesar do esforço protocolar, Xana Guerra faz um reparo à escolha de Louçã: