O ex-banqueiro e político espanhol Mario Conde foi preso na manhã desta segunda-feira, em Madrid, pela Guarda Cívil espanhola, adianta a imprensa espanhola, nas edições online. O ex-presidente do Banesto é suspeito de ter repatriado, a partir da Suíça e do Reino Unido, dinheiro de que se apropriou no banco chefiado por si, nos finais das décadas de 80 e 90. O caso Banesto foi longo, na Justiça espanhola, e regressa agora 11 anos depois de Conde ter saído da prisão.

De acordo com o El Mundo, a “Operação Fénix” começou de manhã e incluiu buscas a casas e sociedades supostamente criadas por Conde para esconder os lucros com o dinheiro tirado ao banco, no caso que foi conhecido em 1993, depois de detetadas irregularidades. Nessa altura, Mario Conde era presidente do Banesto.

O El Mundo dá ainda conta que a detenção foi feita por membro da Unidade de Delitos Económicos e na operação foram detidas mais seis pessoas. entre as quais os dois filhos do ex-banqueiro (Mario e Alejandra Conde Arroyo), bem como o genro de Mario Conde, Fernando Guash Vega-Penichet, que é diretor-geral da CaixaBI, unidade espanhola do banco de investimentos da CGD. Foram ainda detidos Francisco Javier de la Vega Jiménez, Francisco de Asis Cuesta Moreno, María Cristina Fernández Álvarez.

Em comunicado enviado por fonte oficial da Caixa Geral de Depósitos, esta segunda-feira, o banco diz que é “completamente alheio”.

“O Banco Caixa BI é completamente alheio às razões pela qual terá sido hoje detido para interrogatório Fernando Guash Vega-Penichet, responsável pela Sucursal do Caixa Banco de Investimento em Espanha.”

Em julho de 2002, Mario Conde (que fundou, em 2011, o partido político espanhol Sociedade Civil e Democracia) foi condenado pelo Supremo a 20 anos de prisão (pena entretanto reduzida) por apropriação indevida de bens, fraude e falsificação de documentos, durante os anos em que geriu o Banco Espanhol de Crédito.

Este foi o caso mais longo da Justiça espanhola, com Conde a ser preso pela primeira vez em 1994, por gestão danosa no Banesto. Saiu em liberdade condicional em 1999, depois de vários recursos que permitiram a redução da pena inicial, e agora volta a ser detido. Quando foi afastado da presidência do conselho de administração do Banesto, o banco ficou com um buraco financeiro de 2700 milhões de euros, o que exigiu a intervenção do Banco de Espanha.

(atualizado às 11h55 com comunicado de fonte oficial da Caixa Geral de Depósitos)