O Fundo Monetário Internacional (FMI) voltou a criticar os efeitos da decisão do Banco de Portugal de transferir obrigações do Novo banco para o BES no final do ano passado, considerando que esta decisão abalou a confiança no sistema. Fundo alerta ainda para o impacto na rentabilidade dos bancos portugueses das baixas taxas de juro por um período muito prolongado.

Não é a primeira vez que o Fundo faz estas referências, mas normalmente os reparos são feitos nos relatórios exclusivamente sobre Portugal. Agora, o FMI volta a sublinhar as consequências da decisão do Banco de Portugal no final do ano passado, ano e meio após a resolução, da transferência destas obrigações, mas no relatório global sobre estabilidade financeira da instituição.

“O tratamento seletivo dos detentores de obrigações seniores do Novo Banco criou a perceção de um tratamento desigual e ao aumento da incerteza que abalou a confiança”, afirma o FMI, na atualização do Global Financial Stability Report hoje publicado.

Baixas taxas de juro custam caro aos bancos

O FMI fez também uma análise às consequências das taxas de juro baixas, ou mesmo negativas, nos bancos e aponta Portugal como um dos países onde o sistema financeiro está mais vulnerável ao impacto do nível atual de taxas de juro.

O Fundo explica que nos casos em que os bancos não estão disponíveis – ou não são legalmente capazes – para fazer refletir nos depósitos dos seus clientes as taxas de juro negativas, vêm a sua rentabilidade cada vez mais comprimida ao longo do tempo, uma vez que os juros que recebem pelos seus ativos continuam a cair, mas as taxas de juro a pagar pelos depósitos não passam do zero.

Apesar de reconhecer a dificuldade de fazer este tipo de estimativas, o Fundo estima que um aumento de 0,1 pontos percentuais no diferencial entre os juros pagos e recebidos por um banco pode levar a uma queda entre 6% e 7% nos lucros dos bancos, um valor consideravelmente maior quando se consideram os resultados antes de impostos, onde a quebra nos lucros seriam de 40%, o mais alto entre os países selecionados. A diferença apresentada entre o resultado operacional não tem comparação entre qualquer um destes países, ultrapassando os 30%.