António Capucho tem sido “sondado informalmente” sobre uma candidatura à Câmara de Cascais nos últimos tempos e a resposta que tem dado é aberta. “Tenho respondido que é prematuro”. É o próprio que o conta ao Observador, dizendo que nesta fase está empenhado noutras frentes, mas sem fechar a porta a uma tentativa de regressar à Câmara que liderou por nove anos: “Não enjeito nada”.

Mas passa-lhe pela cabeça? “Não passa nem deixa de passar”, responde Capucho: “A um ano e meio de eleições, as coisas estão de tal maneira por definir que não posso enjeitar. Ainda nem sei se Carlos Carreiras se recandidata ou não, ou se o PSD e o CDS vão coligados”.

Não estando afastado de Cascais, estou afastado das questões autárquicas. Mas tudo é possível, tenho bons amigos em todos os partidos”, diz António Capucho

Os contactos têm sido feito essencialmente em “tertúlias onde estão essencialmente cidadãos independentes, mas também ex-militantes do PSD, atuais militantes do PS e do PS. Têm conversado comigo sobre essa matéria”. Capucho diz que não existe “qualquer contacto formal” do PS sobre as autárquicas, mas admite que “o PS possa estar interessado” na sua candidatura. Sobretudo depois de ter suspendido a militância do PSD e, posteriormente ter sido expulso do partido. Depois disso, apoiou a candidatura de Francisco Assis nas Europeias e António Costa nas legislativas (esteve na Convenção do PS). Capucho admite que tem “muitos amigos no PS” e que todos estes episódios colocaram o assunto em equação por parte dos socialistas: “Mas daí a estar para aí virado, aos 71 anos, e quando estou empenhado em Sintra…”. O ex-militante do PSD é deputado na Assembleia Municipal, depois de eleito pela lista concorrente ao PSD, “Sintrenses com Marco Almeida” (que também foi afastado do PSD). “Não me quero distrair”, garante Capucho.

O interesse do PS no regresso a Cascais de Capucho foi noticiado esta quarta-feira pelo jornal i e pelo Diário de Notícias. O presidente da concelhia do PS em Cascais, Luís Miguel Reis, é citado pelos dois jornais a dizer que os socialistas querem apresentar a seguir ao Verão uma candidatura “credível, robusta e sólida”. Não dá como encerrada a candidatura do partido, considerando prematuro fazê-lo e fala na necessidade do PS criar um “movimento amplo” onde, diz ao DN, “até António Capucho pode ser incorporado”.

Em 2011, António Capucho suspendeu o mandato na Câmara de Cascais “por razões de saúde” e um ano depois acabou por renunciar ao cargo onde deixou o então vice-presidente Carlos Carreiras, que entretanto foi eleito presidente.