O diretor e o subdiretor do Colégio Militar apresentaram um pedido de demissão no final da semana passada, quando o Chefe do Estado-Maior do Exército também apresentou um pedido de demissão. O pedido de demissão da direção do Colégio Militar não terá sido aceite pelo Chefe do Estado-Maior do Exército (CEME) e ambos os responsáveis continuam em funções.

A informação foi confirmada pelo Observador junto de várias fontes ligadas à instituição. Uma delas garante que o subdiretor “pôs logo o lugar à disposição” quando a reportagem do Observador desencadeou a polémica. O diretor juntou-se depois ao seu número dois. Uma outra fonte acrescenta: “Aliás, na sexta-feira [8 de abril] já havia pessoas num grupo nosso de Facebook do Colégio Militar que diziam: ‘Perdemos dois grandes chefes’, ‘Que pena’, e outras coisas”, referindo-se ao subdiretor e ao diretor da escola, respetivamente tenente-coronel António Grilo e coronel José Sardinha Dias. O então chefe do Estado-Maior do Exército pediu a demissão na noite anterior, quinta-feira, dia 7 de abril. O pedido de demissão dos dois chefes da direção não chegou a ser tornado público.

Questionado pelo Observador sobre o assunto, o chefe das Relações Públicas do Exército, tenente-coronel Góis Pires, confirmou que a direção do Colégio Militar se mantém em funções e respondeu: “Tratando-se de cargos militares, a nomeação, cessação e/ou exoneração dos respetivos titulares obedecem a regras próprias, a coberto da lei”. Acrescentou ainda que “o Exército não presta quaisquer esclarecimentos adicionais para além daqueles que já foram prestados ao Ministério da Defesa Nacional, mediante solicitação do mesmo”. O Ministério da Defesa, por outro lado, remete quaisquer explicações para o Exército, visto que um pedido de demissão da direção do Colégio Militar é um assunto que “diz respeito” àquela instituição. O Observador contactou ainda o diretor do Colégio Militar mas, até ao momento, não obteve qualquer resposta.

Não foi possível ao Observador confirmar se o pedido de demissão da direção do Colégio Militar aconteceu antes ou depois da saída do Chefe do Estado-Maior. Se os dois militares estão demissionários, o pedido terá de ser agora analisado pelo novo Chefe do Estado-Maior do Exército. O tenente-general Frederico Rovisco Duarte é o nome que está em cima da mesa para o cargo, já aprovado pelo Conselho de Ministros. A decisão final cabe agora ao Presidente da República.

“Eles (subdiretor e diretor) são pessoas muito íntegras, portanto quando o CEME pôs o lugar à disposição, puseram-no também”, diz outra fonte do Colégio Militar.

Direção do Colégio Militar vai ao Parlamento

A subcomissão parlamentar de Igualdade aprovou esta quinta-feira a audição da direção do Colégio Militar e da Associação de Pais e Encarregados de Educação dos Alunos a instituição. A aprovação foi garantida com os votos dos partidos de esquerda e a abstenção da direita.