A Ectosense foi a vencedora do Protechting, o programa de captação e aceleração de startups lançado pela Fidelidade e pelo grupo chinês Fosun, em colaboração com a Beta-I. A startup belga foi cofundada por um português, Duarte Mendes de Almeida, juntamente com dois cidadãos belgas, Bart Van Pee e Frederik Massie. Os três desenvolveram um aparelho que pode ser colocado, sob a promessa de não causar desconforto, durante a noite, permitindo descobrir doenças relacionadas com o sono, como explicou Duarte Mendes de Almeida aos jornalistas:

O que fizemos foi desenvolver tecnologia relacionada com sensores móveis, como a que se pode encontrar nos tipos de sensores dos smartwatches, dos gravadores de áudio ou em qualquer sensor móvel. Permite detetar problemas relacionadas com o sono e o nosso principal foco está na apneia do sono.

O aparelho consiste numa espécie de pulseira, que pode ser colocada no pulso dos pacientes. Esta tem um sensor que permite gravar todos os sinais enviados pelo corpo do paciente durante a noite, referentes à sua respiração durante o sono. Estes sinais serão mais tarde analisados pelos médicos, já que a tecnologia desenvolvida pela Ectosense serve “para diagnosticar, não para tratar”, uma doença que, em muitos casos, nunca é diagnosticada. A tecnologia já foi testada uma vez, em pacientes belgas, sendo que são necessários mais dois testes para a validar. Um deles será feito na Bélgica e outro em Lisboa, e deverão estar concluídos “daqui a cinco meses”, segundo o português, que explicou ainda como nasceu a Ectosense:

Este projeto começou na Academia. Quem o começou foi o Frederik [Massie], enquanto fazia a tese de mestrado. Conheci-o em 2013, na Suíça [em Lausanne], enquanto fazia Erasmus (…) Ambos ficámos interessados na medicina do sono (…) Desde então temos estado a trabalhar em algoritmos, para detetar padrões de sono.

O projeto levou o jovem português de 23 anos, ex-estudante do Instituto Superior Técnico (ISP) de Lisboa, e os seus dois colegas belgas a vencerem o primeiro prémio do concurso: 10 mil euros para a startup e um roadshow na China, onde poderão mostrar o seu produto e contactar com investidores chineses. O CEO da Fosun, Liang Xinjun, havia dito esta tarde aos jornalistas que o projeto que ficara em primeiro lugar “pode ser trabalhado”, em resposta à pergunta sobre a possibilidade da Fosun investir diretamente nos projetos a concurso.

Em segundo lugar ficou a Cleenbeen Technologies, uma startup fundada em setembro de 2015, em Portugal. A Cleenbeen também trabalha na área da saúde, estando a desenvolver “uma ferramenta que monitoriza em tempo real as regras e sistemas de higiene de mãos usadas em instituições de saúde”, “reduzindo os custos e as baixas relacionadas com as infeções induzidas em hospitais”.

A outra empresa vencedora, das três premiadas pelo júri do Protechting (composto por 10 elementos), foi uma startup sueca, a LifeSymb, que “providencia um sistema à base de um sensor 3D que previne lesões e otimiza a performance” dos seus utilizadores. É destinada em grande parte a praticantes de desporto.

Tal como a Ectosense, a portuguesa Cleenbeen Technologies e a sueca Lifesymb participarão no roadshow da China, organizado pela Fosun para aproximar os três projetos premiados do mercado chinês.