Tive uma Ideia

Inviita. A app portuguesa que conquistou a Apple (duas vezes)

948

Com 17 mil utilizadores, em 130 países, foi distinguida duas vezes pela Apple na App Store. A Inviita quer que o estado de espírito de cada utilizador o guie pelas cidades onde está. Com emojis.

Natacha Parreira, Paulo Neto Leite, Joana Baptista, João Bernardo e Bernardo Véstia, no lançamento do Inviita

Inviita

A Inviita nasceu numa esplanada do miradouro Portas do Sol, em Lisboa. E ficou marcada num guardanapo de papel, que Bernardo Véstia e Joana Baptista, fundadores, ainda hoje guardam. Dizem que recorre às emoções das pessoas para guiá-las pelas cidades que visitam (ou onde moram) e que, com um emoji, lhe sugerem aquilo que não podem deixar de ver ou de fazer.

A aplicação que faz depender roteiros turísticos de estados de espírito atingiu cerca de 17.000 utilizadores em seis meses, em cerca de 130 países. E a loja de aplicações móveis da Apple destacou-a duas vezes – primeiro como Best New App, na semana em que foi lançada oficialmente (em outubro de 2015), e depois como uma das melhores apps para planear um City Break, em 20 países, em abril de 2016.

Fundada por Joana Baptista, Bernardo Véstia, João Bernardo e Natacha Parreira, a Inviita permite que os roteiros criados para cada utilizador – e que são personalizados tendo em conta o estado de espírito em que se encontram – sejam partilhados pelos outros utilizadores da app. Com estas funcionalidades, prometem simplificar o processo de tomada de decisão sobre o que cada utilizador pode fazer na cidade em que se encontra. E se quiser seguir o estado de espírito e a experiência de celebridades como Cristina Ferreira, Pedro Teixeira ou Vera Kolodzig, também pode fazê-lo.

Eu e a Joana estávamos num café nas Portas do Sol e ela estava a lamentar-se do que estava a fazer na empresa onde trabalhávamos. A dizer que queria fazer outra coisa. E começámos a discutir ideias. Percebemos logo que uma das coisa que mais gostávamos era viajar e nos fazia falta uma aplicação deste género”, explicou Bernardo Véstia, 32 anos, ao Observador.

Com a preocupação de desenvolver uma aplicação que fosse “muito social e que permitisse descobrir muito rapidamente as experiências de outras pessoas”, lançaram uma primeira versão da Inviita em maio, depois de se despedirem da consultora onde trabalhavam – e onde se conheceram. E depois de terem vencido a competição de empreendedorismo da Vodafone, o BIG smart cities 2014. O lançamento oficial só chegou em outubro de 2015. A aplicação é gratuita e está disponível no sistema operativo iOS.

Por enquanto, contam com um investimento de 100.000 euros do business angel Paulo Neto Leite, mas estão a negociar uma ronda de capital de risco. Vai servir para desenvolver a aplicação para outros sistemas operativos e para fazer crescer o apoio ao cliente. “Queremos dar atenção às pessoas, quando algo não corre bem”, diz Bernardo. De momento, o país com mais utilizadores é Portugal (25%), segue-se o Reino Unido (14%) e Espanha (11%). Holanda e Estados Unidos têm 6% cada um. As cidades portuguesas que mais recorrem à Inviita são Lisboa, Porto, Braga e Coimbra.

A nossa app está a ser utilizada, em média, duas vezes por semana, por utilizador”,explica Bernardo Véstia. Joana Baptista acrescenta que, mesmo sem que isso tenha sido um dos objetivos, a app acabou por funcionar como uma solução para os locais. “As pessoas utilizam a Inviita para descobrirem o que fazer na sua própria cidade. E isso é altamente recompensador. Porque é uma dupla utilização, começada pelos utilizadores. E foi uma evolução muito boa”, afirma a engenheira biomédica e presidente da empresa.

E como planeiam fazer dinheiro com a aplicação (visto que é gratuita para quem a utiliza)? Cobrando uma taxa pelas reservas que são feitas através da Inviita. Quando o utilizador recebe o roteiro sugerido pela app e personalizado tendo em conta o seu estado de espírito, pode fazer as reservas dos sítios que quer visitar e dos eventos a que quer ir logo na aplicação.

Para que este tipo de reserva pode acontecer, a startup estabeleceu parcerias com empresas que distribuem este tipo de serviço globalmente como o Booking.com faz para os hotéis. O utilizador paga o mesmo – quer opte por reservar o sitio ou serviço através das empresas externas ou no Inviita – mas se o fizer pela aplicação portuguesa, esta recebe uma percentagem pelo valor cobrado.

Por enquanto, o conteúdo dos roteiros é composto por museus, jardins, restaurantes, bares, entre outros, mas o objetivo é que seja possível reservar hotéis e outras experiências turísticas (estas vão estar disponíveis já em abril). Bernardo Véstia explica que, entre os 17.000 utilizadores do Inviita, 92% surgiu de um crescimento orgânico, ou seja, do passa-palavra.

*Tive uma ideia! é uma rubrica do Observador destinada a novos negócios com ADN português.

Todos queremos saber mais. E escolher bem.

A vida é feita de escolhas. E as escolhas devem ser informadas.

Há uns meses o Observador fez uma escolha: uma parte dos artigos que publicamos deixariam de ser de acesso totalmente livre. Esses artigos Premium, por regra aqueles onde fazemos um maior investimento editorial e que mais diferenciam o nosso projecto, constituem a base do nosso programa de assinaturas.

Este programa Premium não tolheu o nosso crescimento – arrancámos mesmo 2019 com os melhores resultados de sempre.

Este programa tornou-nos mesmo mais exigentes com o jornalismo que fazemos – um jornalismo que informa e explica, um jornalismo que investiga e incomoda, um jornalismo independente e sem medo. E diferente.

Este programa está a permitir que tenhamos uma nova fonte de receitas e não dependamos apenas da publicidade – porque não há futuro para a imprensa livre se isso não acontecer.

O Observador existe para servir os seus leitores e permitir que mais ar fresco circule no espaço público da nossa democracia. Por isso o Observador também é dos seus leitores e necessita deles, tem de contar com eles. Como subscritores do programa de assinaturas Observador Premium.

Se gosta do Observador, esteja com o Observador. É só escolher a modalidade de assinaturas Premium que mais lhe convier.

Partilhe
Comente
Sugira
Proponha uma correção, sugira uma pista: apimentel@observador.pt
Sindicatos

Vivam as greves livres

Nuno Cerejeira Namora

Estes movimentos têm de ser encarados como o sintoma de um mal maior: a falência do sindicalismo tradicional e a sua incapacidade de dar resposta às legítimas aspirações dos seus filiados.

Sri Lanka

Ataque terrorista à geografia humana de Portugal

Vitório Rosário Cardoso

É quase indissociável desde o século XVI na Ásia marítima a questão de se ser católico e de se ser Português porque afirmando-se católico no Oriente era o mesmo que dizer ser-se Português. 

Museus

Preservação do Património Cultural

Bernardo Cabral Meneses

As catástrofes ocorridas no Rio de Janeiro e em Paris deverão servir de exemplo para ser reforçada a segurança contra incêndios nos edifícios e em particular nos museus portugueses.

Liberdades

Graus de liberdade /premium

Teresa Espassandim

Ninguém poderá afirmar que é inteiramente livre, que pouco ou nada o condiciona, como se a liberdade significasse tão só e apenas a ausência de submissão e de servidão.

Só mais um passo

1
Registo
2
Pagamento
Sucesso

Detalhes da assinatura

Esta assinatura permite o acesso ilimitado a todos os artigos do Observador na Web e nas Apps. Os assinantes podem aceder aos artigos Premium utilizando até 3 dispositivos por utilizador.

Só mais um passo

1
Registo
2
Pagamento
Sucesso

Detalhes da assinatura

Esta assinatura permite o acesso ilimitado a todos os artigos do Observador na Web e nas Apps. Os assinantes podem aceder aos artigos Premium utilizando até 3 dispositivos por utilizador.

Só mais um passo

Confirme a sua conta

Para completar o seu registo, confirme a sua conta clicando no link do email que acabámos de lhe enviar. (Pode fechar esta janela.)