Portugal está a acompanhar “muito de perto” os impactos de uma possível suspensão de reciprocidade de vistos entre a União Europeia e os Estados Unidos. Na prática, esta decisão faria com que os cidadãos norte-americanos fossem obrigados a pedir um visto nas deslocações de curta duração à Europa. Neste momento apenas precisam ter o passaporte válido nos três meses seguintes à entrada num país do Espaço Schengen. O país quer salvaguardar “as estreitas relações de cooperação” que mantém com os aliados transatlânticos.

A Comissão Europeia adiou para julho a decisão de suspender a reciprocidade de vistos com os EUA e o Canadá, depois destes dois países continuarem a exigir aos cidadãos da Roménia e à Bulgária vistos para estadias de curta duração. Até lá, o Parlamento Europeu e os Estados-membros têm de se pronunciar sobre esta iniciativa que pertence à Comissão. Portugal, um país que mantém relações próximas com os Estados Unidos e com o Canadá, não só comerciais, mas também com muitos emigrantes portugueses a residirem naqueles países, está a acompanhar a situação, embora ainda não tenha posição definida.

“Portugal acompanha de muito perto a situação e está ainda a avaliar os impactos dos vários cenários possíveis, de modo a contribuir positivamente para uma posição comum no seio do Conselho da União Europeia que salvaguarde, da melhor maneira possível, os interesses da União Europeia e dos seus Estados-membros”, esclareceu fonte oficial da secretaria de Estado dos Assuntos Europeus ao Observador. O Governo lembra ainda que é preciso salvaguardar “as estreitas relações de cooperação que mantemos com os nossos aliados transatlânticos”.

Os Estados Unidos e o Canadá deveriam ter abolido os vistos para todos os Estados-membros da União Europeia entre abril de 2014 e abril de 2016, mas os dois países ainda mantêm a exigência de vistos para cidadãos romenos e búlgaros. A Comissão Europeia pode avançar agora com uma suspensão da reciprocidade dos vistos, o que pode resultar na mesma prática por parte do lado dos norte-americanos, obrigando a que o cidadãos que queiram atravessar o Atlântico tenham obrigatoriamente de pedir vistos mesmo para visitas turísticas ou curtas viagens de negócios.