Um redondo não. O PCP é contra a mudança do nome do Cartão de Cidadão, como propõe o Bloco de Esquerda e o Governo admite. A intenção de chumbar a medida proposta pelo partido coordenado por Catarina Martins foi confirmada esta quinta-feira pelo deputado comunista Jorge Machado.

“É uma matéria claramente não prioritária. Não é uma questão de género mas de gramática”, argumentou o parlamentar, citado pelo Diário de Notícias.

Os bloquistas defendem a alteração da designação de Cartão de Cidadão para Cartão de Cidadania por entenderem que a atual nomenclatura “não respeita a identidade de género de mais de metade da população portuguesa”.

Na terça-feira, o ministro-Adjunto, Eduardo Cabrita admitiu dar resposta à proposta do Bloco de Esquerda e alterar o nome do Cartão de Cidadão. “Estes temas tratamos com seriedade e tratamos com rigor e portanto estamos abertos a refletir sobre a evolução da sociedade neste tema, certos também que estaremos sempre a olhar para o futuro”, afirmou o governante, numa audição no parlamento.

Ora, para Jorge Machado, há um “conjunto vasto de problemas” com o Cartão de Cidadão que são “mais importantes para resolver”, desde logo o facto de o documento não ser vitalício para cidadãos com mais de 70 anos, como acontecia, de resto, com o Bilhete de Identidade.

O PCP já tinha levado esta preocupação ao Parlamento, quando a ministra da Presidência e da Modernização Administrativa, Maria Manuel Leitão Marques, foi ouvida pelos deputados na Comissão de Assuntos Constitucionais. Na altura, confrontada com esta hipótese, a ministra confirmou que não existiam condições técnicas e de segurança para emitir um cartão de cidadão vitalício para cidadãos seniores. Era o adeus precoce ao Cartão de Cidadão vitalício.