Barack Obama entrou em cena no debate sobre a permanência do Reino Unido na União Europeia. Em visita a Londres, o presidente dos Estados Unidos avisou os britânicos que, caso haja Brexit, o comércio entre os dois países pode ser negativamente abalado. Na altura de de negociar novos tratados de comércio com os EUA, “o Reino Unido vai estar no fim da fila”, disse Obama, afirmando que a prioridade americana é obter acordos desse tipo com “um bloco grande, a União Europeia” e não com países individualmente.

Ao lado de David Cameron, o homem que é contra o Brexit mas decidiu promover um referendo sobre o assunto, Obama salientou que as suas palavras não devem ser entendidas como uma ameaça, antes como mais uma opinião. “Esta é uma decisão que cabe ao povo do Reino Unido tomar. Não estou aqui para vos dizer como votar. Eu próprio não vou votar. Estou a dar a minha opinião e, nas democracias, toda a gente deve querer mais informação, não menos, e vocês não devem ter medo de ouvir uma opinião”, defendeu o presidente americano.

Apesar da ressalva, as palavras de Obama foram mal recebidas pelos partidários da saída do Reino Unido da União. À BBC, um deputado conservador disse que a opinião do ainda presidente americano era irrelevante porque ele está quase a abandonar a Casa Branca e porque está apenas “a fazer um favor a um velho amigo britânico”.

De manhã, antes sequer de Obama ter aterrado no país, o jornal The Sun trazia um artigo do controverso presidente da câmara de Londres, no qual Boris Johnson — apoiante assumido do Brexit — chamava a Obama um “presidente meio queniano”. Nesse texto, o mayor londrino conta a história de como um busto de Winston Churchill tinha sido devolvido da Casa Branca à embaixada britânica nos Estados Unidos para dar a entender que Obama não partilha dos valores britânicos. Churchill lutou contra as ditaduras, escreve Johnson, “e hoje é uma tragédia que a União Europeia — esse organismo estabelecido há tanto tempo com o objetivo nobre de evitar uma nova guerra — está, ela própria, a sufocar a democracia, aqui e em toda a Europa.”

O tal busto de Churchill foi mesmo devolvido à embaixada britânica e no lugar dele está atualmente um de Martin Luther King, mas Obama fez questão de explicar que tem uma efígie do antigo primeiro-ministro britânico logo à saída do escritório. “Adoro-o”, disse o presidente americano, que faz a sua quinta e última visita ao Reino Unido, aproveitando o 90º aniversário da rainha Isabel II.