Os grupos religiosos chineses têm de obedecer ao Partido Comunista no poder na China, disse o presidente Xi Jinping, citado hoje pela agência oficial Xinhua.

“Os grupos religiosos (…) devem aderir à liderança do Partido Comunista Chinês (PCC)”, afirmou, no encerramento de uma conferência com altos funcionários do partido.

No entanto, os membros do PCC devem ser “inflexivelmente ateus marxistas”, vincou, pedindo-lhes para “resolutamente manterem a guarda contra infiltrações do exterior através de meios religiosos”.

“Devemos guiar e educar o círculo religioso e os seus seguidores com os valores socialistas”, afirmou ainda Xi Jinping, que apelou ao desenvolvimento de esforços para “combinar as doutrinas religiosas com a cultura chinesa”.

“As políticas e teorias religiosas do PCC demonstraram estar corretas no passado”, acrescentou.

Na China vivem milhões de budistas, cristãos e muçulmanos.

Desde que Xi Jinping chegou ao poder, em 2012, as autoridades chinesas tornaram-se mais repressivas em relação a alguns grupos. Em agosto de 2015 o Observador contou a história de Wei (nome fictício), um chinês convertido ao cristianismo que pediu asilo em Portugal depois de ter sido espancado por causa da sua fé. “Devias saber que na China não vale a pena ir contra o Partido Comunista Chinês. Quem manda aqui é o partido, não é Deus”, disseram-lhe os agressores.

Na província de Xhejiang têm sido demolidas igrejas e retiradas cruzes colocadas no exterior de edifícios numa campanha criticada por grupos de defesa dos direitos humanos.

Na região muçulmana de Xinjiang, as denúncias são em relação à repressão de manifestações e práticas como o Ramadão ou as barbas longas.

Pequim desistiu na década de 1970 de acabar com os grupos religiosos organizados e optou pelo seu controlo através de igrejas, templos e mesquitas oficialmente autorizadas que juntam a doutrina religiosa à retórica comunista.