Rádio Observador

Tecnologia

Dinamizar a economia europeia a partir da Invicta. Nasceu o ScaleUp Porto

341

A Câmara do Porto e a UPTEC lançaram o Manifesto ScaleUp Porto, para ajudar as startups locais a crescer de forma sustentada. Próximo passo: criar uma rede europeia de cidades 'scaleup'.

O ScaleUp Porto, movimento criado pela CMP e UPTEC, em parceria com a Agência Nacional de Inovação, Porto Business School e Instituto Politécnico do Porto, quer ajudar as startups do Porto a “escalar” (isto é, a crescer de forma sustentada)

D.R.

O Porto quer ser um exemplo para a Europa. Quer indicar o caminho a outras cidades e ajudar a dinamizar a economia do continente europeu. Por isso, a Câmara Municipal da cidade (CMP) e a UPTEC (a incubadora de startups ligada à Universidade do Porto) lançaram este mês o Manifesto ScaleUp Porto, “o primeiro passo de um programa coordenado”, o ScaleUp Porto, que pretende levar a cidade a atingir “todo o seu potencial tecnológico”. Os responsáveis querem ainda destacar o papel que as cidades europeias podem desempenhar enquanto “catalisadores de ecossistemas empreendedores e sustentáveis”.

O manifesto surge como iniciativa do município do Porto, em parceria com a UPTEC. [Trata-se de] um conjunto de linhas de ação que pensamos serem relevantes para seguir, um contributo do Porto para um movimento de scaleups que começam a surgir na Europa”, explica fonte do pelouro de Inovação e Ambiente da CMP ao Observador.

O manifesto, que defende que o Porto tem “potencial para se tornar uma referência nacional e internacional nas áreas do empreendedorismo e inovação”, estabelece três objetivos: “Promover o desenvolvimento local, centrando-se no papel das cidades como agregadores, numa rede Europeia complexa e heterogénea”; “Apoiar as empresas que estão preparadas para escalar a atingir um desenvolvimento mais sustentável e crescimento numa economia global”; e “Envolver os cidadãos e capacitá-los para que possam tirar partido do crescimento do ecossistema de inovação, que fornece novas oportunidades de emprego qualificado”.

As novas empresas [startups] dificilmente atingirão uma fase de crescimento somente com o apoio de estruturas destinadas a uma fase early stage [inicial] (…) As startups que pretendam chegar a um estado de crescimento sustentável [tornando-se scaleups] necessitam de uma nova plataforma de apoio”, resume o manifesto.

Startups sim, mas é preciso “ir um bocadinho mais além”

O movimento estabelece um conjunto de compromissos e ideias-chave, que identificam os passos necessários para que o Porto consiga “ter mais empresas a gerar um maior volume de negócios, mais empregos e projetar todo um ecossistema que vive à custa do talento e que provém daquilo que existe à volta do Porto: excelentes universidades, que estão a formar recursos muito procurados no estrangeiro mas que temos que procurar fixar”, explica ao Observador o vereador Filipe Araújo, que esteve envolvido na elaboração do manifesto.

“Não descuramos o aparecimento de projetos de inovação, de startups, mas, para cidades como o Porto, que já assumiram um dinamismo tão grande nessa área, a questão é agora como conseguimos projetar isto [as startups] e ir um bocadinho mais além”, acrescenta o responsável, explicando o porquê de o projeto estar focado na aposta na criação e desenvolvimento de scaleups, “empresas com média de crescimento anual em colaboradores (ou volume de negócio) superior a 20 por cento, num período de três anos, considerando que têm 10 ou mais colaboradores no início do período de observação”, segundo a definição da OCDE.

O Porto está muito bem e recomenda-se. Aquilo que vi aqui foi realmente muito interessante em termos de cidade inteligente. Estes empreendedores que fazem a ligação entre o mundo físico e o mundo digital são pessoas que estão a transformar o Porto numa cidade melhor, mais inteligente”, afirmou o comissário europeu Carlos Moedas, durante a apresentação do manifesto.

A aposta na economia digital do Porto quer ajudar a posicionar a cidade no centro da Europa, ligando-a a outras cidades que estejam também a apostar na inovação e servindo como motor do crescimento económico e do emprego. “Dentro de uma Europa que tem fronteiras muito restritas começa a surgir a aposta da Comissão Europeia na economia digital. Desenvolver uma rede europeia de cidades de scaleups pode ser um instrumento importantíssimo para ajudar as do Porto e portuguesas a crescer. Poderá dinamizar um dos maiores mercados do mundo, o mercado europeu”, explica fonte do pelouro de Inovação e Ambiente da CMP.

Tornar o Porto mais atrativo, dar-lhe visibilidade e chamar investidores

Esta criação de uma rede de cidades “facilitadoras” do desenvolvimento de empresas tecnológicas é um projeto dos responsáveis da Câmara e da UPTEC. Para já, adianta o vereador Filipe Araújo, há já contactos com outras três cidades europeias: Manchester, Eindhoven e Helsínquia:

Temos vindo a desenvolver contactos com Manchester, Eindhoven e Helsínquia, cidades que estão muito abertas aos fatores e objetivos que identificámos aqui [no manifesto]. Este é o ritmo que a Europa pode seguir, que pode alavancar a economia europeia”, que se encontra em crescimento anémico desde a crise de 2008, detalha o responsável.

Questionado sobre as medidas específicas que serão tomadas pela Câmara da cidade para potenciar o desenvolvimento da economia digital da região, o vereador explica que não existirão “incentivos diretos a estas empresas” (scaleups), mas que há muito que pode ser feito para as fixar e ajudar a crescer:

Procuraremos criar condições para que estas empresas [scaleups] ocupem espaços atrativos, queremos trazê-las para o centro da cidade, [porque] só conseguem atrair recursos se tiverem espaço para as pessoas poderem vir trabalhar, espaços de que as pessoas gostem. A cidade pode fazer muito, investindo na qualidade de vida, em transportes públicos [de qualidade], estabelecendo contactos com outras cidades internacionais, internacionalizando a cidade, para captar talento e para dar visibilidade a estas empresas” que querem crescer, diz.

O manifesto – que “não é o fim, antes os passos que queremos dar” – terá já sequência com a organização de uma conferência na região, a “Scaleup for Europe”, que está agendada para 26 e 27 de maio. Esta “representará o ponto de partida para a criação de uma rede ScaleUp europeia” e “incluirá o congresso anual da Rede Europeia de Business Angels (EBAN)”, que trará investidores internacionais à região.

O que estamos a fazer na Scaleup for Europe é trazer mais de 200 ou 300 investidores a conhecer o ecossistema [do Porto]. Esse também é o papel que a cidade pode desempenhar: dar a conhecer a cidade de que gostamos e que consideramos ter qualidades únicas, os nossos recursos e a qualidade de vida que podemos proporcionar”, explica Filipe Araújo, acrescentando ainda que muitos desses investidores “são alguns dos grandes investidores de startups e scaleups”, a nível europeu e mundial.

Editado por Tiago Pereira

Não queremos ser todos iguais, pois não?

Maio de 2014, nasceu o Observador. Junho de 2019, nasceu a Rádio Observador.

Há cinco anos poucos acreditavam que era possível criar um novo jornal de qualidade em Portugal, ainda por cima só online. Foi possível. Agora chegou a vez da rádio, de novo construída em moldes que rompem com as rotinas e os hábitos estabelecidos.

Nestes anos o caminho do Observador foi feito sem compromissos. Nunca sacrificámos a procura do máximo rigor no nosso jornalismo, tal como nunca abdicámos de uma feroz independência, sem concessões. Ao mesmo tempo não fomos na onda – o Observador quis ser diferente dos outros de órgãos de informação, porque não queremos ser todos iguais, nem pensar todos da mesma maneira, pois não?

Fizemos este caminho passo a passo, contando com os nossos leitores, que todos os meses são mais. E, desde há pouco mais de um ano, com os leitores que são também nossos assinantes. Cada novo passo que damos depende deles, pelo que não temos outra forma de o dizer – se é leitor do Observador, se gosta do Observador, se sente falta do Observador, se acha que o Observador é necessário para que mais ar fresco circule no espaço público da nossa democracia, então dê o pequeno passo de fazer uma assinatura.

Não custa nada – ou custa muito pouco. É só escolher a modalidade de assinaturas Premium que mais lhe convier.

Partilhe
Comente
Sugira
Proponha uma correção, sugira uma pista: gcorreia@observador.pt

Só mais um passo

1
Registo
2
Pagamento
Sucesso

Detalhes da assinatura

Esta assinatura permite o acesso ilimitado a todos os artigos do Observador na Web e nas Apps. Os assinantes podem aceder aos artigos Premium utilizando até 3 dispositivos por utilizador.

Só mais um passo

1
Registo
2
Pagamento
Sucesso

Detalhes da assinatura

Esta assinatura permite o acesso ilimitado a todos os artigos do Observador na Web e nas Apps. Os assinantes podem aceder aos artigos Premium utilizando até 3 dispositivos por utilizador.

Só mais um passo

Confirme a sua conta

Para completar o seu registo, confirme a sua conta clicando no link do email que acabámos de lhe enviar. (Pode fechar esta janela.)