O antigo chefe de Estado brasileiro Luiz Inácio Lula da Silva disse que o processo de destituição contra a Presidente Dilma Rousseff está a ser conduzido por “grupos oportunistas”, segundo informações da Agência Brasil. “Uma aliança oportunista entre a grande imprensa, os partidos de oposição e uma verdadeira quadrilha legislativa, que implantou a agenda do caos”, disse o ex-presidente, num discurso lido pelo diretor do Instituto Lula, Luiz Dulci.

Lula da Silva participou esta segunda-feira num evento promovido pela Aliança Progressista, uma rede internacional de partidos e organizações de esquerda e a parte do discurso com a acusação foi lida por Luiz Dulci porque o ex-Presidente ficou rouco.

Segundo Lula da Silva, os deputados federais não analisaram com equilíbrio os argumentos que conduziram à aprovação do processo na Câmara dos Deputados. “Ali não houve uma mínima análise de argumentos e provas. Houve um pelotão de fuzilamento, comandado pelo que há de mais repugnante no universo político”, criticou.

O ex-presidente tem sido um dos principais articuladores do Partido dos Trabalhadores (PT) e do Governo, que juntamente com aliados tenta reverter a decisão de afastar a Presidente, tomada pela Câmara dos Deputados (câmara baixa) no passado dia 17.

Na ocasião, os deputados brasileiros decidiram por 367 votos a favor e 137 votos contra dar continuidade a uma denúncia contra Dilma Rousseff, que é acusada de cometer crime de responsabilidade ao promover manobras fiscais e aprovar gastos fora do orçamento.

A denúncia contra a Presidente brasileira está no Senado (câmara alta). Hoje uma comissão especial formada por parlamentares será constituída para analisar o caso. Se a denúncia for aceite, em votação preliminar após este grupo de 21 senadores divulgar o seu parecer, ela se transformará em processo de destituição.

O resultado será o afastamento de Dilma Rousseff durante 180 dias e o vice-Presidente Michel Temer assumirá o cargo interinamente até ao julgamento final, com a realização de uma nova votação com todos os 81 senadores. Nesse caso, se pelo menos 54 senadores votarem favoravelmente a denúncia, Dilma Rousseff será definitivamente afastada do cargo e perderá o direito de exercer cargos públicos por oito anos.