A cerimónia de entrega do prémio, dotado de 22.500 euros, está marcada para as 18h30 e é presidida pelo Presidente da República, Marcelo Rebelo de Sousa, e conta com a presença do ministro da Cultura, o diplomata e também poeta Luís Castro Mendes, e do presidente da APE, José Manuel Mendes, entre outras personalidades.

Em março, quando foi conhecido o nome de Manuel Alegre, em comunicado, a APE afirmou ter sido uma escolha “unânime” da sua direção, que teve em consideração “o longo percurso literário do autor, de um tempo prévio a ‘Praça da Canção'”.

Publicados em 1965, em plena ditadura, os livros “Praça da canção” e “O canto e as armas” são definidos como “símbolo da luta pela liberdade”, pela editora do escritor, as Publicações D. Quixote.

Nas doze edições anteriores do Prémio Vida Literária da APE, foram distinguidos Miguel Torga, José Saramago, Sophia de Mello Breyner Andresen, Óscar Lopes, José Cardoso Pires, Eugénio de Andrade, Urbano Tavares Rodrigues, Mário Cesariny de Vasconcelos, Vítor Aguiar e Silva, Maria Helena da Rocha Pereira, João Rui de Sousa e Maria Velho da Costa.

Manuel Alegre, de 79 anos, que tem recebido prémios literários nacionais e internacionais durante todo o seu percurso, de mais de meio século de escrita, também vai ser distinguido, no próximo dia 22 de maio, com o Prémio de Consagração de Carreira da Sociedade Portuguesa de Autores.

O escritor preside ao Prémio LeYa de Literatura, desde a sua criação, em 2008, e apresentou, na Biblioteca Nacional, em Lisboa, no passado dia 07, a sua mais recente obra, “Uma outra memória”.

Na ocasião, em declarações à Lusa, o escritor Manuel Alegre, admirador de Eusébio, a quem dedicou um poema, defendeu que o ensino da disciplina de História devia ter mais relevância e afirmou: “O país não é só a seleção nacional de futebol”.

O autor lamentou que atualmente “não haja memória do país que fomos”, afirmando-se desencantado com a Europa em que “só se sofre o poder da banca e dos mercados”.

Manuel Alegre é o único autor português incluído na antologia “Cent poèmes sur l’exil”, editada pela Liga dos Direitos Humanos, em França (1993). Em abril de 2010, a Universidade de Pádua, em Itália, inaugurou a Cátedra Manuel Alegre, destinada ao estudo da Língua, Literatura e Cultura Portuguesas.

Em 1998, recebeu o Grande Prémio de Poesia da APE, pelo livro “Senhora das tempestades”, que lhe valeu também o da Crítica Literária, atribuído pela Secção Portuguesa da Associação Internacional de Críticos Literários. No mesmo ano, recebeu o Prémio de Literatura Infantil António Botto, pelo título “As naus de verde pinho”.

Pelo conjunto da sua obra, foi distinguido com o Prémio Pessoa, em 1999, ano em que também recebeu o Prémio Fernando Namora, pelo romance “A terceira rosa”.

Em 2007, a Fundação Inês de Castro de Coimbra deu ao autor de “Praça da canção”, pela totalidade da sua obra, o Tributo Consagração e, no ano seguinte, a Fundação da Casa de Mateus atribuiu-lhe o Prémio D. Dinis, pelo livro “Doze Naus”.

Manuel Alegre foi eleito, em 2005, sócio correspondente da Classe de Letras da Academia das Ciências de Lisboa.

O escritor recebeu, por parte da República Portuguesa, a Grã-Cruz da Ordem da Liberdade, em 1989, a Estrela dos Combatentes pela Liberdade, Ordem da ex-Jugoslávia (Jugoslovenske Zvesde sa Zlatnim Vencem), é comendador da Ordem de Ouissam Alaoui, de Marrocos, da Ordem de Isabel, a Católica, de Espanha, e Grande-Oficial da Ordem de Bernardo O’Higgins, do Chile.

O poeta foi igualmente distinguido com a Ordem do Mérito Nacional da Argélia, é Grande-Oficial da Ordem Stella Della Solidarietá Italiana, tem o 1.º Grau da Ordem de Amílcar Cabral, de Cabo Verde, e recebeu ainda as medalhas de Mérito do Conselho da Europa, de que é Membro Honorário, da cidade de Veneza e de Pádua, em Itália, sendo cidadão honorário da segunda, e ainda as medalhas de ouro de Águeda, onde nasceu, e de Coimbra, onde estudou.