O Colégio Militar está a ser alvo de uma inspeção e a discriminação de alunos homossexuais é um dos pontos a investigar, anunciou esta tarde o ministro da Defesa, em audição na Assembleia da República. “Está a decorrer uma inspeção ao Colégio Militar que inclui um cuidado específico sobre este tipo de questões”, disse Azeredo Lopes. O ministro explicava-se sobre o caso Colégio Militar, desencadeado por uma reportagem do Observador, mas deixou muitas questões dos deputados sem resposta.

Azeredo Lopes considerou as palavras do subdiretor como “declarações infelizes”, quando o responsável assumiu que os alunos homossexuais eram excluídos pelos seus pares. Declarações essas que deixaram o responsável preocupado. “Essas declarações permitem-me ficar preocupado com a possibilidade de, quem é responsável por menores, pecar por omissão e deixar as coisas seguirem o seu caminho, que é o percurso da exclusão”, considerou o ministro da Defesa, referindo-se a uma inação dos funcionários e responsáveis da escola.

Azeredo Lopes revelou que pediu logo explicações ao Exército quando as declarações ganharam eco na comunicação social, mas não recebeu retorno. “O ministro procurou que o Exército tomasse uma posição sobre o assunto, pediu que se dissesse que medidas iam ser tomadas para esclarecer o assunto e, vendo que não havia nenhuma medida tomada ou anunciada pelo Exército, entendeu esperar”. Mas o CEME “não disse o que ia fazer face à situação”, conta o ministro. Terá sido neste momento de espera que o general Carlos Jerónimo apresentou a demissão do cargo de chefia do Exército.

O responsável não explicou se exigiu ou não a demissão do subdiretor do Colégio Militar nem adiantou mais explicações sobre a demissão do ex-Chefe do Estado Maior do Exército. Azeredo Lopes realçou que, na altura do pedido, “foram invocadas razões pessoais” e que são essas que permanecem como justificação para a saída.

Quanto às críticas de ter comentado o caso de forma pública, em vez de, como ministro, se ter resguardado nos comentários, Azeredo Lopes respondeu: “Não há reserva possível que possa ser invocada quando estamos perante declarações públicas. Não foi estabelecida qualquer acusação, foi sim afirmado o princípio fundamental da não discriminação”, sublinhou. A direção do Colégio Militar será ouvida na Assembleia da República a 3 de maio.