O desemprego afeta entre 18 mil a 20 mil pessoas no distrito de Évora, quase o dobro dos cerca de 10.700 desempregados que constavam, em fevereiro, nas listas do Instituto do Emprego e Formação Profissional (IEFP).

A estimativa do desemprego atual foi feita esta terça-feira pelo coordenador da União dos Sindicatos do Distrito de Évora (USDE), afeta à CGTP, Valter Lóios, numa conferência de imprensa que serviu para a apresentação de um estudo social sobre a região.

“Contabilizando os que deixaram a procura ativa de emprego, os que emigraram e os que foram eliminados dos ficheiros, estamos a falar de entre 18 mil a 20 mil desempregados que existem atualmente no distrito”, afirmou.

O dirigente sindical considerou que este “é um número que fica, se calhar, aquém da realidade”, salientando que “são milhares e milhares os que todos os meses são eliminados das listas [do IEFP] e perdem os seus postos de trabalho”.

“O desemprego ainda não abrandou ou quando abranda é por outras razões como a eliminação de dados estatísticos ou por trabalhadores estarem com CEI ou CEI+ ou em estágios ou formação”, observou.

O estudo, indicou, mostra que os desempregados registados, em fevereiro deste ano, nos centros de emprego do IEFP no distrito de Évora, eram cerca de 10.700, aos quais se juntam “mais de 2.500 pessoas que estão com contrato emprego inserção (CEI), em estágio ou em formação”.

Valter Lóios referiu existirem empresas que estão a utilizar “os contratos de formação” para criar emprego, em que os trabalhadores “passam pela formação, estagiam um ano e vão-se embora”, e, depois, “entram outros formandos”.

“Esta criação de emprego no distrito é importante e inverte o caminho que tínhamos tido até aqui, mas precisamos de dar o salto qualitativo na valorização do trabalho e dos trabalhadores com a criação de postos de trabalho permanentes”, defendeu.

O sindicalista adiantou que, “só em quatro anos, o distrito de Évora perdeu mais de 12.500 postos de trabalho”, sobretudo nas áreas da pequena indústria e dos serviços, referindo-se ao período entre 2010 e 2014.

“É um estudo que coloca um desafio aos governantes no sentido de inverterem a política que tem sido seguida no Alentejo e que demonstra que a região e o distrito de Évora têm futuro”, afirmou.

O estudo, acrescentou, indica que aumentaram “as dificuldades no acesso aos cuidados de saúde, com menos extensões de saúde e menos profissionais”, assim como “menos escola pública, com redução do número de estabelecimentos de ensino e de profissionais”.

A USDE vai assinalar o Dia do Trabalhador, no domingo, com manifestações, torneios de malha, aulas de zumba, exposições e atuações musicais, estando previstas iniciativas em Évora, Vendas Novas e Montemor-o-Novo.