Em entrevista à Rádio Renascença, o atual chairman da EDP, Eduardo Catroga, afirmou que o Governo devia descer a carga fiscal sobre a eletricidade, sugerindo que o fizesse em vez da descida prometida do IVA da restauração. “Era, talvez, preferível reduzir o IVA na eletricidade do que reduzir o IVA nos restaurantes. São opções políticas. A redução do IVA na eletricidade às famílias beneficia todas as famílias portuguesas. A redução do IVA na restauração beneficia, essencialmente, os donos dos restaurantes, em certos segmentos”, disse, quando questionado sobre os elevados preços praticados pela EDP.

Portugal é precisamente um dos países da União Europeia onde a eletricidade é mais cara, mas Catroga justifica isso com a elevada carga fiscal que é aplicada ao setor. E é nesse sentido que sugere ao Governo que reduza o IVA na eletricidade, para a empresa poder então baixar os preços que cobra aos consumidores.

Segundo Catroga, que falou aos microfones da Renascença no programa “Terça à Noite”, a EDP não está disponível para ceder no défice tarifário, que é um dos objetivos do Governo, que pretende também negociar os juros que estão a ser pagos. “Está na lei e a filosofia é que a EDP não ganha nem perca com isso, em termos de rendimentos e juros. A empresa não quer perder nem quer ganhar com este financiamento, que é um favor que ela faz ao sistema”, disse.

Sobre o fim da taxa extraordinária, uma reivindicação da EDP, Catroga, que já foi ministro das Finanças, afirma que tem vindo a reunir-se com vários ministros e que até já se reuniu com o Presidente da República, Marcelo Rebelo de Sousa, para dar conta das “preocupações” dos acionistas. Com o primeiro-ministro, António Costa, é que ainda não se sentou à mesa, mas Catroga garante que já fez o pedido.

Há uma semana, aproveitando uma ida de António Costa à Fundação da EDP, Catroga aproximou-se do primeiro-ministro e chegou mesmo a oferecer os seus serviços. “Os acionistas da EDP precisam de conversar consigo…”, disse, captado pelos microfones e câmaras de televisão, acrescentando pouco depois: “Se você precisar de mim para eu dar aí alguns entendimentos… Eu disponho-me a isso. Porque eu tenho essa visão da política que não é partidária”.