O PCP chamou os jornalistas para uma conferência de imprensa ao final da tarde, já muito depois de ter terminado o debate quinzenal no Parlamento, para anunciar que votará contra o projeto de resolução do CDS que pede a rejeição do Programa de Estabilidade e do Programa Nacional de Reformas.

Se esta semana, o próprio líder comunista Jerónimo de Sousa veio a público admitir que não aprovava o Programa de Estabilidade que o Governo apresentou, isso não significa que o PCP se una ao CDS no pedido de rejeição do documento do Executivo socialista que apoia no Parlamento. Justificação? “O CDS associa a suposta rejeição do Programa de Estabilidade ao objetivo de recuperação das medidas do Governo anterior”.

Assim, o líder parlamentar comunista conclui que o projeto do CDS “tem de merecer o voto contra do PCP”. Aliás, os comunistas chamam “habilidade de última hora” à alteração dos democratas-cristãos ao projeto inicial. Depois de ouvir o Governo recusar sujeitar o Programa a votos no Parlamento, os deputados do CDS transformaram o pedido de votação num pedido de rejeição do documento onde o Governo inscreve a estratégia orçamental para os próximos quatro anos.

Mas os comunistas não deixam de manifestar a sua oposição ao seguimento dos critérios europeus e João Oliveira insiste até na “necessidade de rutura com os constrangimentos externos”, mas sem travar o atual programa, ao lado do CDS.