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“Capitão América: Guerra Civil”

Hollywood está praticamente transformada numa fábrica de filmes de super-heróis. Depois de “Batman v Super-Homem: O Despertar da Justiça”, de Zack Snyder, com duas figuras da DC, a Marvel responde com “Capitão América: Guerra Civil”, de Anthony Russo e Joe Russo, o terceiro filme desta série. Chris Evans volta a vestir o uniforme do Capitão América, acompanhado pelos restantes Vingadores, nomeadamente Robert Downey, Jr. como Homem de Ferro ou Scarlett Johansson como Viúva Negra. Nesta nova super-produção, os Vingadores dividem-se face à intervenção governamental para regular e supervisionar as suas acções, depois de um incidente internacional envolvendo um grupo terrorista em África ter provocado sérios danos colaterais. Enquanto Steve Barnes/Capitão América é contra a intromissão de Washington, Tony Stark/Homem de Ferro apoia-a, formando-se duas facções. Entretanto, uma nova ameaça surge no horizonte.

“Todos Querem o Mesmo”

Depois do enorme sucesso de “Boyhood: Momentos de uma Vida”, Richard Linklater muda de registo para fazer aquilo a que ele chamou “uma continuação espiritual” do seu filme de 1993 “Juventude Inconsciente”, sobre o último dia de curso de um grupo de liceais texanos na década de 70. “Todos Querem o Mesmo” passa-se nos ano 80, ainda no Texas, onde o realizador nasceu, e vai para a universidade com Jake (Blake Jenner), um caloiro que se instala numa república com um grupo de alunos destravados e malucos por basebol. O filme podia ser apenas mais uma “frat house comedy”, mas está cheio do sentido de comédia com observação humana de Linklater, reflectindo a sua sensibilidade para se sintonizar com os adolescentes e jovens adultos a braços com as primeiras etapas da vida, em especial a escolar. Além disso, ele sabe escolher música de época para os seus filmes como poucos. Em complemento, passa a curta-metragem “Balada de um Batráquio”, de Leonor Teles, que ganhou o Urso de Ouro desta categoria no Festival de Berlim.

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“Cemitério do Esplendor”

No novo filme do impronunciável tailandês Apichatpong Weerasethakul, um grupo de soldados atingidos por uma misteriosa doença do sono é instalado temporariamente numa antiga escola, para observação e tratamento. Aí, uma voluntária trava amizade com uma médium que ajuda os familiares dos soldados a entrar em contacto com eles, e descobrem que a escola foi construída sobre um cemitério ancestral, onde estão sepultados reis e guerreiros, que poderão estar a usar a energia dos soldados para os seus eternos combates no mundo dos espíritos. Nada de novo na frente de Apichatpong: misticismo gasoso, espiritualidade difusa, um tratamento prosaico e banalizado do elemento fantástico (há uma sequência em que duas divindades aparecem à voluntária sob os traços de raparigas comuns), muita conversa fiada “new age”, uma câmara pegada de estaca e ritmo que induz à narcolepsia. Não é “Cemitério do Esplendor” que me vai converter ao cinema deste tailandês que é a coqueluche dos nichos cinéfilos mais bem-pensantes.

“A Lei do Mercado”

Thierry, um operário especializado francês na casa dos 50, com mulher e um filho deficiente, é despedido da sua empresa e tem que voltar ao mercado de trabalho. Depois de passar por várias situações humilhantes no Centro de Emprego, em entrevistas de trabalho, em ações de formação e no banco onde vai pedir um empréstimo, consegue um lugar de vigilante numa grande superfície, onde tem de estar alerta ao clientes que roubam e ainda aos colegas que procuram prejudicar a empresa. Rodeado quase apenas de actores não-profissionais, Vincent Lindon interpreta Thierry, papel que lhe valeu o Prémio de Melhor Ator no Festival de Cannes e o César da mesma categoria. “A Lei do Mercado” foi escolhido como filme da semana pelo Observador, e pode ler a crítica aqui.