Marcelo Rebelo de Sousa e António Costa mostraram-se satisfeitos com a decisão da agência de rating canadiana DBRS de manter Portugal acima do “lixo”.

António Costa foi o primeiro a reagir. “É uma boa notícia”, mas “era o esperado”, afirmou primeiro-ministro, em visita à Base Aérea das Lajes, nos Açores.

O chefe do Governo socialista considera que a decisão da agência de rating reflete a execução orçamental, as previsões de evolução económica e de estabilidade económica do país. “Eram estes critérios. Não fico surpreendido”, atirou António Costa, sublinhando, ainda assim, que esta era uma notícia positiva para o país e um “reforço essencial para a confiança da economia portuguesa”.

Como explicou o Observador, a manutenção do rating de Portugal no nível mais baixo da chamada escala de investimento e a perspetiva estável, permite, mesmo assim, que o Banco Central Europeu continue a comprar dívida pública portuguesa, e que esta possa continuar a ser usada pelos bancos como garantia junto de Frankfurt para, em troca, receber empréstimos da instituição liderada por Mario Draghi.

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As três maiores agências – Moody’s, Standard & Poor’s e Fitch – continuam a manter o rating de Portugal em níveis considerados de “lixo”, o que só reforça a importância da DBRS para a economia portuguesa. Desafiado a dizer se espera agora que as três maiores agências acompanhem a decisão da DBRS, António Costa disse que “era cedo” e lembrou que as três obedecem a “critérios próprios”.

No entanto, o primeiro-ministro fez questão de lembrar: “O nosso foco é cumprir aquilo com que nos comprometemos com os portugueses” e “prosseguir com a estratégia que temos executado”. Ou sejam, “mais crescimento”, “mais emprego” e “maior igualdade”, um “conjunto virtuoso” que “tem estado a funcionar bem”, mesmo contra “a expectativa de muitos”, sublinhou António Costa.

Também Marcelo Rebelo de Sousa, no final da visita à Faculdade de Belas-Artes da Universidade de Lisboa, disse ter ficado “muito satisfeito” com a decisão da DBRS. “Já esperava que isso acontecesse [e prova] que não há razão para alarmismo ou pessimismo”, sublinhou o Presidente da República.

No seu relatório, e apesar de não cortar o rating português, a agência elegeu como um dos potenciais problemas para o país a falta de compromisso político para adotar políticas económicas sustentáveis.

Ora, Marcelo desvaloriza. “Esse é o único ponto que eu acho que não existe. Há todas as condições para irmos em velocidade de cruzeiro”, reafirmou o Presidente da República, admitindo, no entanto, que as autoridades portuguesas devem estar atentas à evolução económica internacional, nomeadamente à desaceleração económica dos Estados Unidos.

“[Devemos] realizar as eleições autárquicas sem estarmos a pensar o Governo que fica ou que cai. já chegou o ano de 2015 e o início de 2016. Não podemos passar a vida a estar em eleições”, insistiu Marcelo Rebelo de Sousa.

*Atualizado às 19h50 com as declarações de Marcelo Rebelo de Sousa