24 polícias ficaram feridos na sequência dos protestos violentos registados esta sexta-feira de madrugada em Paris. Durante a noite foram detidas mais de 120 pessoas.

As forças de segurança utilizaram gás lacrimogéneo contra manifestantes que atiravam garrafas e pedras, deixando três polícias gravemente feridos, informou o ministro do interior francês, Bernard Cazeneuve.

Os protestos foram para além de Paris, estendendo-se a Nantes, Toulouse, Lyon e Marselha, estimando-se que 170.000 trabalhadores e estudantes tenham saído à rua para manifestar esta quinta-feira. Em todo o país foram presas 124 pessoas, segundo Cazeneuve.

O primeiro-ministro francês, Manuel Valls, afirmou que aqueles que recorreram a meios violentos durante os protestos serão “levados à justiça”, informa o The Guardian.

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Os protestos começaram frente ao Palácio da República e, quando os manifestantes se recusaram a abandonar o local, a polícia utilizou granadas de atordoamento e gás lacrimogéneo para fazer dispersar as centenas de pessoas que ali se concentravam.

A polícia, gradualmente, começou a empurrar os manifestantes para outras ruas da cidade, tendo procedido à detenção de vários indivíduos.

Peole demonstrate against the French government's proposed labour reforms on April 28, 2016 in Lyon, southeastern France. / AFP / PHILIPPE DESMAZES (Photo credit should read PHILIPPE DESMAZES/AFP/Getty Images)

Um dos desfiles contra as reformas propostas pelo governo francês

Durante a noite foram queimados pelo menos dois autocarros e duas motas. No entanto, um representante de um sindicato afirmou que estas ações de violência não tiveram nada a ver com o protesto organizado. “Nós sempre condenámos a violência”, afirmou o sindicalista.

Também um dos representantes dos movimentos estudantis, William Martinet, afirmou que os estudantes condenavam os atos de violência por parte de manifestantes, mas acrescentou que a polícia “abusou na força utilizada”.

French Gendarmerie arrest a person as they clear the Place de la Republique in Paris during a protest by the Nuit Debout, or "Up All Night" movement who have been rallying against the French government's proposed labour reforms early on April 29, 2016. Twenty-seven people were arrested and 24 detained during the overnight clashes in the French capital as the police dispersed the protesters who began their began movement on March 31 in opposition to the government's proposed labour reforms. AFP PHOTO / JOEL SAGET / AFP / JOEL SAGET (Photo credit should read JOEL SAGET/AFP/Getty Images)

Polícia procede à detenção de um manifestante

Os protestos são contra uma proposta do governo que pretende tornar as leis do emprego mais flexíveis, em França. Uma das medidas propostas é permitir aos empregadores despedirem os empregados em situações económicas mais difíceis. Estas medidas têm causado várias ações de contestação dirigidas contra o presidente francês, Fraçois Hollande.

O grupo Nuit Debout (Acordados toda a noite), constituído principalmente por jovens, tem liderado uma série de protestos noturnos nas últimas quatro semanas. Nos últimos dias, os apoiantes do grupo têm vindo a diminuir.

Em França o desemprego afeta 10% da população em geral e 25% da população jovem.

A stencil is sprayed onto a zebra crossing close to the Place de la Republique in Paris where the Nuit Debout, or "Up All Night" movement have been rallying against the French government's proposed labour reforms on April 29, 2016. AFP PHOTO / JOEL SAGET / AFP / JOEL SAGET (Photo credit should read JOEL SAGET/AFP/Getty Images)

Um stencil com spray numa passadeira frente ao Palácio da República