O banco liderado por António Vieira Monteiro aumentou os lucros em 113%, para um total de 114,5 milhões de euros. O resultado já inclui a integração dos ativos e passivos adquiridos ao Banif — algo que o Santander Totta garante que teve um impacto “marginal” nos resultados. Na conferência de imprensa de apresentação de resultados, António Vieira Monteiro afirmou, também, que o empréstimo do Santander ao Estado já constava como opção na proposta de compra (não só na proposta pós-resolução como, também, na proposta anterior).

António Vieira Monteiro afirmou que o empréstimo feito ao Estado português para que este injetasse fundos no Banif (no contexto da resolução), no valor de 1.800 milhões, era uma “opção que estava prevista” (esse financiamento podia ou não ser feito). Vieira Monteiro afirmou que o Santander estava disponível para emprestar ao Estado português não só no contexto da resolução mas, também, na proposta de compra que tinha sido feita no contexto do concurso (venda voluntária).

Esta declaração parece ir num sentido diferente do que afirmou Mário Centeno no parlamento, em meados de abril. O ministro garantiu que esse financiamento, “feito a taxas de mercado”, fora “negociado” posteriormente à resolução.

Numa audição anterior na comissão de inquérito ao Banif, confrontado pelo PSD, Centeno não tinha confirmado exatamente quando é que tinha ficado combinada a opção de financiamento que viria a ser exercida e que levaria o Santander a emprestar ao Estado português um montante próximo dos 1.800 milhões de euros que seriam injetados diretamente no Banif.

O Santander já tinha dito, anteriormente, que já tinha havido esta negociação de uma opção de financiamento. “No âmbito das medidas de capitalização para correção do balanço do Banif imediatamente anteriores à medida de resolução e à venda de ativos e passivos, foi acordado com o Santander Totta a aquisição por este banco, em data posterior, de títulos de dívida pública sob a forma de MTN (medium term notes) no montante de 1.766 milhões de euros então emitidos pelo IGCP”, afirmou no final de fevereiro fonte oficial do banco, ao Jornal de Negócios, que noticiou o empréstimo.

Margem financeira, comissões e venda de dívida suportam lucros

O produto bancário do banco cresceu 39% no período em análise, suportado por um aumento da margem financeira (incluindo nas operações compradas ao Banif — banco que foi alvo de uma resolução) e pelo aumento de mais de três vezes dos resultados com operações financeiras, basicamente venda de títulos de dívida pública, que ascenderam a 47 milhões de euros.

O Santander Totta cobrou mais 27% em comissões — para 85 milhões de euros — mas o principal impulsionador dos lucros foi a margem financeira, a diferença entre aquilo que o banco paga para se financiar (pelos depósitos, por exemplo) e os juros que recebe dos créditos. A margem financeira estrita aumentou 27% para 181 milhões de euros.

Num valor que também já inclui a integração do Banif, os custos operacionais aumentaram 23% para 144 milhões de euros. Por outro lado, o Santander Totta colocou de lado menos de metade em provisões e imparidades (apenas 14,2 milhões de euros no primeiro trimestre).

Santander a alertarem clientes do Banif antes da resolução? “É falso”

António Vieira Monteiro clarificou os lucros que o Santander teve com os ativos e passivos comprados ao Banif, notando que foram um milhão por mês — ou seja, cerca de três milhões. É esse o fruto que o Santander Totta teve, em termos de resultados, com a operação comprada ao Banif, garante o presidente do Santander.

Vieira Monteiro, que irá à Comissão de Inquérito ao Banif, garante que o banco só começou a olhar para o Banif na reta final do ano, porque tinha passado o ano todo a “olhar para o Novo Banco”, cuja venda viria a ser adiada em agosto. O presidente do Santander Totta desmentiu, porém, as acusações feitas por Jorge Tomé — antigo presidente do Banif — que acusou o Santander de cortejar clientes nas ilhas dizendo-lhes que o Banif em breve iria desaparecer.

“Não houve ninguém a fazer essas operações. Temos a certeza de que isso não se passou e isso está documentado por escrito”, garantiu António Vieira Monteiro.

Quanto ao Novo Banco, Vieira Monteiro não se alongou: “Nós estamos apostados no crescimento orgânico mas não deixamos de estar atentos a tudo o que se passa no mercado português, quer bancos quer outras situações”. O presidente do Santander Totta confirmou, contudo, que já “houve contactos”.