Há portugueses, talvez a grande parte, que a determinada altura começam a ansiar atingir uma certa idade, pós vida laboral: 66 anos e dois meses. É este o mínimo de longevidade que a lei exige para que um trabalhador possa enviar o pedido de reforma para, por fim, descansar. Ou seja, apenas ao fim de dois terços de um século é que, em Portugal, se pode deixar de trabalhar e passar a usufruir do que se foi descontando ao longo da vida. Já em Singapura, a idade da reforma está fixada nos 62 anos.

Mas Goh Gwek Eng resolveu ignorá-la. Esta senhora estava em casa e sentia-se entediada, sem nada para fazer. Os cinco filhos que teve há muito que tinham montado os seus próprios lares e, com o tempo, vieram os 20 netos e os dez bisnetos que hoje já conta. O lar de Goh Gwek Eng esvaziou-se, os familiares já não tinham o mesmo tempo que antes para a visitar. Portanto, decidiu mexer um pouco com a sua vida. Quis voltar a trabalhar.

Esta decisão apareceu há 18 anos e uma das netas conseguiu ajudá-la. Foi bater à porta do Mc Donald’s e tudo se alinhou. A cadeia norte-americana de fast food disse que sim e lá foi Goh Gwek Eng, de volta ao trabalho. Hoje lá está, escreve o Strait Times, a desdobrar-se em tarefas na cozinha do restaurante e a corresponder aos pedidos que surgem em catapulta. Só que esta bisavó tem uma particularidade — está com 92 anos.

É a trabalhadora mais velha do McDonald’s, uma cadeia que está presente em mais de 100 países, escreve o diário singapurense. Não será difícil acreditar neste dado e tão pouco foi árduo para que Goh Gwek Eng apanhasse o jeito às tarefas diárias que tem de cumprir no restaurante.

A idosa trabalhadora apenas se queixa de uma coisa. “Fritar batatas é o mais difícil, porque fico com muito calor por estar em frente à fritadeira”, confessou, dizendo que os colegas de trabalho a ajudam sempre que se depara com os desafios que a idade já não lhe deixa cumprir: “Ajudam-me quando me veem a carregar coisas pesadas ou quando não sou capaz de acompanhar os pedidos”.

De resto, não parece haver queixas. Nem o corpo de Goh Gwek Eng parece estar a dar de si. Aos 92 anos, a singapurense percorre diariamente a distância entre casa e trabalho a caminhar, segundo o Strait Times, algo que lhe demora 20 minutos a completar. “Planeio continuar a trabalhar enquanto for saudável”, disse, ao jornal. Até agora, saúde não lhe falta.