“De que parte de Itália é a sua mãe?”

“Não vou dizer, você é um amante latino, hein?”

Risada montada na sala, mais uma vez. Claudio Ranieri incluído, que se ri à brava, ainda mais risonho por ver como toda a gente que tem à frente estar a partilhar uma gargalhada. O jornalista que lhe pergunta pela mãe faz a pergunta que muitos quereriam fazer. Porque, uns segundos antes, alguém questiona o italiano para tentar saber onde andará o treinador à possível hora das decisões. E ele diz que vai estar com a cabeça no ar: “Gostava de ver o jogo, mas vou estar a voar de Itália. Quero almoçar com a minha mãe, que tem 96 anos. Voo de volta à mesma hora do jogo, por isso vou ser o último homem a saber do resultado”.

Tranquilo, cara de despreocupação, de que não é nada com ele. O treinador acaba de anunciar que, durante o jogo que pode fazer o Leicester campeão e fechar o livro do conto de fadas — basta que o Tottenham não vença em casa do Chelsea, a partir das 20h –, estará com o telemóvel desligado e perdido entre as nuvens. Quando a bola começar a rolar, o italiano vai estar a entrar num avião em Roma. Relaxado como sempre? Talvez não como estava na conferência de imprensa em que revelou a notícia, após o empate (1-1) com o Manchester United, em Old Trafford.

Quanto aterrar e der vida ao telemóvel, o italiano pode ser invadido por mensagens atrás de chamadas. Muitas dos jogadores do Leicester, que se são reunir em casa de Jamie Vardy para se colarem à televisão durante o Chelsea-Tottenham. O The Times escreve que o ponto de encontro para a equipa assistir ao encontro é em casa do terceiro (22 golos) melhor marcador do campeonato, que esta segunda-feira foi eleito o Melhor Jogador da Premier League pelos jornalistas ingleses.

Uma hora e meia depois de o Tottenham começar a jogar pelo Chelsea, todos poderão estar a fazer a festa, com umas pints (cervejas) pelo meio. É que neste dérbi londrino, os spurs não vencem há 26 anos quando visitam os blues. Que Claudio Ranieri ligue rápido o telemóvel, assim que aterrar.