Uma investigação da Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz) descobriu que a bactéria usada para tentar reduzir a propagação da febre de dengue também é eficaz contra o vírus Zika, segundo um artigo publicado na quarta-feira na revista Cell Host & Microbe.

Luciano Moreira, líder do projeto “Eliminar a Dengue: Desafio Brasil”, citado pela Agência Brasil, referiu que a nova experiência de laboratório mostrou que os mosquitos infetados com a bactéria ‘Wolbachia’ não têm capacidade para transmitir o Zika.

“Mostrámos isso fazendo a seguinte experiência: tínhamos mosquitos que estavam infetados [com Zika], divididos em dois grupos: com ‘Wolbachia’ e sem ‘Wolbachia’. Duas semanas depois, recolhemos a saliva dos mosquitos dos dois grupos e a injetámos em mosquitos sãos, que nunca haviam visto o vírus [Zika]”, explicou.

O investigador acrescentou que “quando a saliva tem origem nos mosquitos com ‘Wolbachia’, não se consegue fazer uma infeção nos mosquitos [sãos]”, o que mostra “que a ‘Wolbachia’ bloqueou a transmissão do vírus”.

Desde 2014 que a Fiocruz estuda os chamados “mosquitos do bem” como um meio natural de controlo da febre de dengue.

Os pesquisadores defendem que essa é uma alternativa natural, segura e autossustentável para o combate da dengue, Zika, chikungunya e diversos tipos de febres hemorrágicas.

O Brasil registou 91.387 casos prováveis de Zika em 2016, segundo dados do Ministério da Saúde divulgados no passado dia 26 de abril.

Desde 2007 que a infeção com o vírus Zika já foi registada em 39 países do mundo.