A conferência era sobre a energia, mas o presidente executivo da EDP não se furtou a responder a uma pergunta sobre a banca portuguesa e o cenário de consolidação que foi assumido esta semana pelo líder do BCP, banco onde a elétrica é acionista de referência.

Nuno Amado anunciou que o BCP gostaria de analisar a compra do Novo Banco, se a direção europeia da concorrência o permitir. O BCP pode ser impedido por Bruxelas de apresentar uma oferta porque ainda não devolveu toda a ajuda de Estado que recebeu. A mesma restrição se aplica a outros bancos que recorreram a financiamento do Estado como a Caixa Geral de Depósitos.

António Mexia diz que as palavras de Nuno Amado “são óbvias e justas”. Tal como na energia, também no setor financeiro, defende, a política não deve ser determinada pela Direção-Geral da Concorrência (DG Comp da Comissão Europeia). “Quem paga uma parte da fatura — os bancos vão suportar os custos da resolução do Banco Espírito Santo — tem o direito de olhar para o jogo. Não deve haver exclusão de jogadores, pareceria despropositado”, afirmou o presidente da EDP, na conferência de imprensa sobre o plano de negócios para os próximos cinco anos, realizada em Londres.

A EDP tem 2,7% do capital do BCP e é um dos poucos investidores portugueses, ainda que com acionistas estrangeiros, que restam na banca privada portuguesa.

As restrições da política de concorrência europeia à atuação da banca portuguesa e do próprio Estado, enquanto acionista do principal banco português, estão a levantar um coro de protestos de várias personalidades em Portugal, que começou no movimento contra a espanholização da banca, mas que entretanto evoluiu para a perda de capacidade nacional para intervir no setor financeiro. Seja por falta de capital, seja por via de regras europeias.