“O fogo estava controlado, mas de repente, com a mudança de direção do vento, ficou incontrolável”, contou César Pimenta, de 48 anos, um canadiano nascido no Brasil, residente em Fort McMurray e que teve apenas dez minutos para abandonar a sua casa.

O incêndio na província de Alberta, no noroeste do Canadá, já obrigou 90 mil pessoas a saírem das suas casas e consumiu mais de 85 mil hectares de floresta desde a noite de domingo.

César Pimenta, natural de S. Paulo (Brasil), está no país há 27 anos e reside em Fort McMurray desde 2014, onde é condutor de um autocarro.

“Há um sentimento de perda, desolação, de tristeza. É uma situação que não é muito comum, pois ninguém estava à espera que o fogo atingisse estar proporções”, contou.

O incêndio continua por controlar apesar dos mais de 1.100 bombeiros, 145 helicópteros e 22 aviões cisterna que o estão a combater. Mais de duas mil casas ficaram destruídas pelas chamas.

Quando foi dada a ordem de evacuação, os residentes da zona “tiveram trinta minutos” para obedecer. César Pimenta, que se encontra atualmente a 100 quilómetros a norte da cidade, em Mackay River Lodge, nas instalações de uma companhia petrolífera, explicou que as pessoas “apenas trouxeram o mais importante, como uma troca de roupa, documentos, água, alimentação ou animais de estimação”.

Há todo um espírito de interajuda entre os canadianos, nomeadamente entre os residentes de cidades próximas de Fort McMurray, que se meteram a caminho daquela localidade para prestarem auxílio às pessoas que tiveram de deixar as duas casas.

“Há pessoas que estão a meio caminho a ceder gasolina gratuitamente. (…) Em lojas, há bilhetes com pessoas a disponibilizar quartos em casas para acolheram pessoas que perderam as residências no incêndio”, disse César Pimenta.

Na quinta-feira à noite, a primeira-ministra de Alberta, Rachel Notley, alertou os residentes de Fort McMurray que iam levar dias até poderem “voltar às suas casas”. Naquele que é considerado já o maior desastre natural da história canadiana, a reconstrução da cidade deverá ter um custo de nove mil milhões de dólares canadianos (seis mil milhões de euros), um valor que equivale ao orçamento anual da província de Nova Escócia (localizada no este do Canadá).