A exploração de petróleo em Fort McMurray deve ser retomada o mais rápido possível, para que os combustíveis não esgotem, disse este sábado à agência Lusa um português retirado da cidade canadiana, devido a um incêndio.

“Se as companhias não produzirem rapidamente petróleo, a gasolina vai esgotar no Oeste do Canadá, em províncias como a Colúmbia Britânica ou Saskatchewan. Podem ficar basicamente sem abastecimento de combustíveis”, afirmou Paulo Ferreira, de 43 anos.

O emigrante natural de Tomar (distrito de Santarém), encarregado geral na base de exploração de petróleo da Shell Albian Sands (50 quilómetros a norte de Fort McMurray), mostrou-se “pronto para voltar a trabalhar”, reconhecendo que há “muita pressão” do Governo de Otava para que as companhias petrolíferas retomem o processo de produção de petróleo.

O incêndio em Fort McMurray já levou à destruição de mais de duas mil casas, obrigando à evacuação de várias localidades. Desde domingo, mais de mil quilómetros quadrados de floresta foram consumidos pelas chamas, o que corresponde a uma área equivalente a dez vezes a cidade de Paris.

No Canadá desde 2007, Paulo Ferreira residia em Fort McMurray até há 48 horas, quando foi obrigado a sair da cidade.

“Não sei se a minha casa e o meu veículo foram atingidos pelo incêndio. Só trouxe para Edmonton a roupa que tinha no corpo e alguns bens de primeira necessidade. Já não tive tempo para mais nada”, revelou.

Paulo Ferreira contou que, ao ser retirado, “teve de passar pela zona central do incêndio, pois toda a zona residencial da cidade foi afetada” pelo fogo.

Paulo Ferreira desconhece quantos portugueses é que laboram naquela região, mas disse que na empresa onde trabalha há outro português, um emigrante da zona de Ponte de Sor, que também foi retirado “em segurança”.

O luso-canadiano António Palma, de 57 anos, chegou na noite de sexta-feira a Edmonton, também retirado de Fort McMurray, e espera regressar a casa, em Vancouver, o mais rapidamente possível.

“Correu tudo bem. Com a escolta da polícia, quando estávamos na linha do fogo, não tivemos problemas. Chegamos agora a Edmonton e, depois, quero ver se adquiro uma passagem para Vancouver, onde resido”, disse António Palma, natural de Faro (Algarve), há três décadas no Canadá.

António Palma disse que, na área onde se encontrava, a cerca de 100 quilómetros de Fort McMurray, o “combustível ia faltando”, visto que a produção de petróleo parou. Caso o incêndio continue com a mesma intensidade, o combustível “vai começar a faltar”, estimou.

Quarenta fogos florestais estão hoje ativos em Alberta, dos quais cinco são considerados “fora de controlo”. No local estão 1.200 bombeiros, apoiados por 110 helicópteros e 27 aviões de combate a incêndios.

Este é já considerado o maior desastre natural da história canadiana, com a reconstrução da cidade de Fort McMurray a ter um custo previsto de nove mil milhões de dólares canadianos (seis mil milhões de euros).