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Ex-gestor do Banco Mundial diz que países produtores de matérias-primas não podem ser preguiçosos

O antigo gestor do Banco Mundial Harinder Kohli avisouque os países exportadores de matérias-primas, entre os quais Angola, Moçambique e Brasil, não podem ser preguiçosos.

HEIN HTET/EPA

O antigo gestor do Banco Mundial Harinder Kohli avisou, em Lisboa, que os países exportadores de matérias-primas, entre os quais Angola, Moçambique e Brasil, não podem ser preguiçosos, devem “trabalhar duro” e apostar na educação e na competitividade.

Em declarações aos jornalistas à margem da segunda edição das Conferências de Lisboa, que decorreram entre quinta e sexta-feira na Fundação Calouste Gulbenkian, o atual diretor geral do Fórum de Mercados Emergentes afirmou que a queda dos preços das matérias-primas atingiu vários países – de África à América Latina, passando pelo Médio Oriente e pela Rússia.

“Países que são fortemente dependentes na exportação de matérias-primas e cujas economias não são diversificadas estão a sofrer, principalmente porque durante o ‘boom’ de dez anos, eles não pouparam para os tempos difíceis”, considerou, em declarações aos jornalistas.

Harinder Kohli sublinhou que “é preciso lembrar que os tempos áureos não duram para sempre, há uma história de altos e baixos nos preços das matérias-primas, sempre”.

“Quando os preços estão altos ou a procura da matéria-prima é elevada, não se deve assumir, nunca, que a festa vai durar para sempre. Deve esperar-se que vai haver um ‘dia chuvoso’. Então, é preciso comprar um chapéu-de-chuva, uma proteção”, ilustrou.

“O país não se pode tornar preguiçoso. Não pode pensar que o petróleo vai sair do chão e por isso podemos viver felizes e comprar malas Gucci e ir a Paris nas férias”, continuou.

Outro erro que Kohli apontou foi o facto de as economias destes países serem pouco competitivas.

O Brasil, por exemplo, que atravessa uma recessão, depois de 30 anos, “praticamente não produz nada que seja competitivo face ao resto do mundo”, à exceção dos aviões.

O responsável defende a necessidade de “investir muito na educação: é necessária mão-de-obra que possa competir na nova economia global, na economia do conhecimento, na alta tecnologia” e é preciso ter “infraestruturas de grande qualidade e serviços públicos”.

“Educação, trabalho duro, produtividade, competitividade. São as respostas”, afirmou.

Harinder Kohli foi um dos mais de 30 oradores que, durante dois dias, participaram na segunda edição das Conferências de Lisboa, subordinada ao tema “A globalização do desenvolvimento”.

Os encontros, bienais, são uma iniciativa conjunta da Gulbenkian, Câmara Municipal de Lisboa, Câmara de Comércio e Indústria Portuguesa, Fundação Portugal-África, ISCTE – Instituto Universitário de Lisboa, União das Cidades Capitais de Língua Portuguesa (UCCLA), Sofid e Instituto Marquês de Valle Flôr.

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