A notícia da suspensão da votação da abertura do pedido de impeachment de Dilma Rousseff, na Câmara dos Deputados, que aconteceu a 17 de abril, poderia representar uma vitória para a presidente, numa semana em que estava prevista a votação do seu afastamento temporário pelo Senado do país. No entanto, Dilma preferiu adotar um discurso mais pragmático ao tomar conhecimento da decisão do presidente interino da Casa Legislativa, Waldir Maranhão, durante um evento no Palácio do Planalto, em Brasília.

Soube agora, apareceu nos celulares de todo mundo aqui, que um recurso foi aceite e que, portanto, o processo [de impeachment], está suspenso. Eu não tenho essa informação oficial. Estou falando porque não podia fingir que não estava sabendo. Não é oficial. Não sei as consequências. Por favor, tenham cautela. Nós vivemos uma conjuntura de manhas e artimanhas”, advertiu.

Segundo relata o jornal Folha de S. Paulo, Dilma foi avisada da anulação da votação por assessores, durante o evento, à medida que os meios de comunicação social brasileiros noticiavam a decisão de Maranhão.

No seu discurso, Dilma pediu “cautela” e “tranquilidade” para “compreender a situação para poder lutar” porque a conjuntura política no país é de “manhas e artimanhas”.

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A gente tem que saber que temos pela frente uma disputa dura, cheia de dificuldades. Peço encarecidamente aos senhores parlamentares uma certa tranquilidade para lidar com isso. Vai ter muita luta, muita disputa”, garantiu

Decisão “esdrúxula” e “extemporânea”

A decisão de Waldir Maranhão foi fortemente criticada pelos opositores de Dilma Rousseff. É o caso de Eduardo Cunha, presidente afastado da Câmara dos Deputados, que classificou de “absurda, irresponsável e antirregimental” a decisão do presidente interino da Casa Legislativa, Waldir Maranhão, numa nota divulgada aos media.

A decisão do presidente em exercício da Câmara dos Deputados é absurda, irresponsável, antirregimental e foi feita à revelia do corpo técnico da Casa, que já tinha manifestado a posição de negar conhecimento ao recurso, cuja assinatura eu iria apor na quinta-feira [dia 5 de maio], data do meu afastamento”, disse, citado pelo site G1.

Já o deputado Beto Mansur, primeiro secretário da Câmara dos Deputados, declarou que a Casa Legislativa não vai tomar qualquer medida em relação à decisão de Maranhão. “A Câmara não vai tomar absolutamente nenhuma decisão com relação a essa questão porque nós já terminamos esse processo”, afirmou, citado pelo site UOL. Mansur explicou que o pedido de anulação da votação, feito pelo advogado-geral da União, José Eduardo Cardozo, foi entregue “fora do prazo, quando o processo já havia sido enviado ao Senado”, motivo pelo qual não foi levado em consideração anteriormente.

“A AGU [Advocacia Geral da União] entrou fora de prazo com questionamento no dia 25 de abril. Poderia ter sido arquivado. Mas foi desconsiderado, porque estava fora de prazo”, disse.

Já em entrevista ao canal GloboNews, o deputado Pauderney Avelino (DEM) fala em decisão “esdrúxula” e “extemporânea”. “É importante dizer que o presidente do Senado, ele pode não receber essa decisão esdrúxula, extemporânea. É uma decisão intempestiva que o presidente interino da Casa, e lamento muito que este cidadão esteja como interino, tomou. Ele não pode tomar essa decisão”. Avelino relembrou que o processo de impeachment “não está mais na Câmara dos Deputados” e advertiu que pode entrar “com mandato de segurança no Supremo Tribunal Federal” para reverter a decisão.