A presidente do CDS-PP, Assunção Cristas, reafirmou esta terça-feira, no Funchal, ao comentar os seis meses da atual governação do país, que o Governo e os partidos da esquerda parlamentar são “farinha do mesmo saco”.

Esta terça-feira, cumprem-se seis meses desde que o PS assinou três “posições conjuntas” separadas com o BE, PCP e PEV, que possibilitaram uma maioria parlamentar para formar um Governo socialista – os acordos políticos foram assinados na Assembleia da República num gabinete do PS e sem a presença da comunicação social, havendo apenas pontuais registos fotográficos dos momentos.

“Está à vista que estão bem juntos, na verdade são farinha do mesmo saco, nos momentos centrais estão unidose isso é bom para todos nós percebermos que, de facto, nós temos um verdadeiro governo das esquerdas unidas”, disse aos jornalistas no final de uma visita ao Mercado dos Lavradores, na cidade do Funchal (ilha da Madeira).

A líder do CDS-PP termina esta terça-feira uma visita ao Funchal, onde se deslocou para estar presença na posse do novo presidente da concelhia do Funchal, Nelson Costa Ferreira.

Sobre a atual polémica da continuação ou não dos apoios ao ensino privado ou cooperativo, Assunção Cristas referiu que o importante “é garantir que a lei é cumprida e que os contratos firmados com os colégios do ensino privado e cooperativo são efetivamente cumpridos”.

“Há que cumprir aquilo que está acordado com as escolas e não se pode, a meio de um percurso, a meio de um acordo com o ensino privado e cooperativo, querer pô-lo em causa”, acrescentou.

Em causa está o financiamento de 79 escolas particulares e cooperativas, que são atualmente frequentadas por cerca de 40 mil alunos. No total, estas escolas representam 3% do ensino privado, segundo dados avançados à Lusa pelo Ministério da Educação.

Os contratos entre o Estado e estas escolas surgiram nos anos 80, numa altura em que ainda não existiam estabelecimentos de ensino suficientes que garantissem o acesso a todos.

Entretanto, foram construídas escolas públicas e os contratos mantiveram-se.

No ano passado, o então ministro da Educação, Nuno Crato, celebrou acordos de financiamento por três anos, tendo baixado o valor a atribuir por cada turma, agora em 80.500 euros por ano.

A nova equipa ministerial liderada por Tiago Brandão Rodrigues decidiu rever os contratos, para garantir que não havia duplicação de oferta, e anunciou o fim de verbas nas zonas onde existisse oferta pública.

O anúncio tem levado a manifestações por parte dos funcionários, alunos e encarregados de educação.

Assunção Cristas reúne-se ainda esta terça com o reitor da Universidade da Madeira e visita o Miradouro do Cabo Girão e o Centro Comunitário do Funchal – Garota do Calhau.