Rodrigo Duterte, o controverso candidato que fez campanha com base na luta contra o crime e a corrupção, venceu as eleições presidenciais nas Filipinas. Ainda não foram divulgados resultados oficiais, mas a larga vantagem que o advogado de 71 anos leva na contagem dos votos já fez com que os outros candidatos admitissem a derrota. O presidente que, devido à limitação de mandatos, entrega o poder a Duterte avisou que a sua eleição poderá significar o regresso da ditadura às Filipinas.

“É com humildade, humildade extrema, que aceito o mandato que me foi dado pelo povo”, afirmou Duterte, citado pela Agence France Presse (AFP). A BBC diz que Duterte conseguiu obter quase o dobro dos votos dos principais rivais.

O homem de 71 anos conquistou a presidência graças a uma campanha marcada por comentários controversos, como quando prometeu “varrer”as Filipinas de criminosos, executando-os e encarcerando-os sem direito a julgamento.

Duterte, que tem a alcunha de “Digong”, foi autarca numa cidade no sul das Filipinas, Davao, e ganhou outra alcunha durante esse tempo: “O Castigador”. A alcunha foi-lhe dada devido à forte redução dos índices de criminalidade que se verificou naquela região. Grupos de defesa dos direitos humanos alertam, contudo, que “O Castigador” recorreu a esquadrões da morte que eliminaram centenas de supostos criminosos.

À parte da questão do combate ao crime, “Digong” usou, também, como base de campanha a luta contra a corrupção que contribui para a pobreza que existe no país. Estatísticas citadas pela BBC dizem que se estima que 40% a 80% dos deputados filipinos estão ligados a dinastias políticas com interesses escondidos.

De resto, não lhe são conhecidas muitas outras intenções políticas concretas – excetuando a promessa de dissolver o Congresso caso este não concordasse com ele.

Duterte é advogado e chegou a estar sentado nesse Congresso, antes de se dedicar ao poder local (Davao). Foi casado duas vezes mas é solteiro — tem muitas namoradas, diz o próprio.