As autoridades venezuelanas anunciaram hoje que estão a preparar um programa piloto de combate ao armazenamento de produtos em seis Estados da Venezuela.

O anúncio foi feito pelo “defensor do povo” (procurador popular), Tarek William Saab, que explicou aos jornalistas que a Defensoria do Povo, realizou 5.200 inspeções a estabelecimentos comerciais, durante as quais detetou irregularidades na compra e venda de produtos.

“Existem máfias que agarram os primeiros cem ou duzentos lugares (das filas de pessoas) para a compra de produtos de primeira necessidade, com cumplicidade interna dos donos de mercearias e supermercados”, explicou.

Tarek William Saab explicou que estas “máfias” são responsáveis por “promover e facilitar a revenda, o armazenamento e a especulação”, nos preços de venda dos produtos.

Por outro lado, frisou que não há explicação para o facto de se formarem filas de pessoas para fazer compras mesmo antes da chegada dos camiões com alimentos e denunciou que as grandes redes de supermercados do país estão a condicionar a venda e a armazenar produtos para depois mudarem o preço de venda.

Questionado pelo jornalistas sobre algumas exigências de alguns estabelecimentos comerciais para vender produtos para bebés, explicou que “se uma mulher grávida estiver a fazer uma compra de fraldas e produtos lácteos, não é necessário pedir-lhe uma ecografia” e que também não é aceitável que exijam uma certidão de nascimento do bebé.

O procurador frisou ainda que discorda que os comerciantes usem marcadores de tinta para marcar “na pele” (nos braços) o número atribuído a cada uma das pessoas que fazem fila para comprar produtos de primeira necessidade, escassos no mercado local.

Sobre o programa piloto de combate ao armazenamento e aos “bachaqueros” (vendedores ilegais), precisou ainda que terá início com 200 funcionários que terão a missão de inspecionar a rede pública e privada de distribuição de produtos.

Na Venezuela, algumas das principais redes de supermercados são propriedade de empresários portugueses radicados no país, que com frequência se queixam de deficiências na distribuição de produtos, de parte dos fornecedores.

Por outro lado são cada vez mais frequentes as filas de cidadãos junto dos supermercados, à espera para comprar produtos essenciais, que muitas vezes nem chegam a ser colocados nas prateleiras dos estabelecimentos comerciais.