A situação é recorrente durante o ano desportivo e não só quando o campeonato está a dar as últimas. Sempre que há jogos grandes, esgotados há muito, os “candongueiros” dão à costa e à porta dos estádios vendem-se bilhetes pelo dobro do preço, às vezes o triplo e quando o jogo é mesmo “grande”, muito, muito mais.

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Para o próximo Benfica-Nacional, que se realiza no domingo, 15 de maio, no estádio da Luz, jogo que decidirá o título de campeão (a par com o dos dois “Sporting”, em Braga), há muito que a lotação do estádio do Benfica está a rebentar pelas costuras. Nas bilheteiras já não se vendem ingressos. Mas ainda há como comprá-los, com preços a rondar 100 a 600 euros.

Um dos locais onde podem ser encontrados é o Facebook. São às dezenas os grupos que os vendem — alguns fechados e aos quais só se acede por convite, alguns abertos e visíveis a todos como o Venda e Troca de Bilhetes, outros secretos e de procura inacessível no motor de busca. Aí, e falando do Benfica-Nacional, ora se pedem bilhetes para o jogo (e surge rapidamente quem queira vendê-los), ora são os próprios vendedores a anunciar-se.

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Contactada pelo Observador, fonte da ASAE garante estar “atenta” ao fenómeno da venda de bilhetes na Internet. “Esta é uma situação normal em jogos que estão esgotados e que têm procura. Os inspetores da ASAE atuam habitualmente no próprio dia dos jogos. Mas também há trabalho que não é realizado no terreno, mas nas redes sociais como o Facebook. A venda irregular de bilhetes através da Internet também é crime”, lembra a mesma fonte.

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Ainda recentemente, a ASAE deteve seis pessoas “em flagrante delito” por “especulação e venda irregular” de bilhetes através da Internet para o Benfica–Bayern de Munique, da Liga dos Campeões. Na altura, foram apreendidos 21 bilhetes “com valores de transação superiores a 100 por cento de lucro”, explicava a Autoridade de Segurança Alimentar e Económica.

Os detidos foram apresentados a tribunal. As multas nestes casos variam entre os 170 e 600 euros ou, em alternativa, a prestação de trabalho comunitário por períodos situados entre as 30 e as 120 horas.