O júri do prémio Princesa das Astúrias para as Artes tornou hoje pública a decisão de distinguir Núria Espert, uma das mais reconhecidas personalidades do teatro espanhol, enquanto atriz, encenadora e empresária — e uma figura que não deixou de se afirmar também no cinema e na ópera.

Sobre Núria Espert, os jurados destacaram, como cita a RTVE, que “representa a recuperação e a continuidade da grande tradição do teatro espanhol, tanto em língua castelhana como em língua catalã”. Afirmaram ainda que Espert tem assinado uma carreira que, ao longo de anos, “se tem caracterizado pela fidelidade aos ideais e aspirações do humanismo e que tem estado sempre ao serviço da poesia e da essência da dramaturgia”.

Núria Espert nasceu em Barcelona em 1935. Aos 13 anos já integrava a companhia Titular Infantil do Teatro Romea. Foi nome principal do teatro Orfeó Graciense, dirigiu o Centro Dramático Nacional de Espanha entre 1979 e 1981 e mais tarde programou o teatro María Guerrero. Foi ainda a partir da década de 80 que a atriz assumiu o lugar de encenadora, em produções de teatro e de ópera.

[um documentário da RTVE sobre Núria Espert]

Com o marido Armando Moreno, empresário teatral, construiu um percurso independente e arrojado, cruzando depois vontades criativas com outros visionários de palco como Esteve Polls ou o chileno Víctor García. A mesma independência que a levou em tempo a apresentar espetáculos apenas nas Canárias, num exílio criativo face ao franquismo que criticava abertamente.

O prémio Princesa das Astúrias das Artes — que nos últimos anos foi entregue a nomes como Francis Ford Coppola, Frank Ghery, Rafael Moneo ou Michael Haneke — distingue a personalidade eleita com 50 mil euros e a reprodução de uma escultura desenhada por Joan Miró. A violinista Anne-Sophie Mutter, a dupla de compositores Ennio Morricone/John Williams e o artista americano James Turrell eram alguns dos 40 candidatos ao prémio que é entregue desde 1981 — e que até 2014 teve o nome de Príncipe das Astúrias.