Pela primeira vez, cientistas conseguiram obter uma formulação nova, neste caso líquida, para materiais que já existem, mas em estado sólido, o cloreto de níquel e o cloreto de alumínio.

Ao fim de dois anos de tentativas e erros, a equipa, que inclui cientistas de instituições estrangeiras, sintetizou, com água, o pó de níquel e alumínio e verificou que o líquido verde gerado funciona como catalisador, substância que acelera a velocidade de reações químicas e que se mantém inalterada, no final, por não interferir com os reagentes.

Segundo a coordenadora da equipa em Portugal, Carla Nunes, trata-se de um catalisador promissor para as indústrias petrolífera e farmacêutica e para a biomedicina, uma vez que é mais barato, desenvolve-se facilmente, não polui o ambiente, porque tem água na sua composição, é reutilizável e resistente.

A investigadora e professora da Faculdade de Ciências da Universidade de Lisboa explicou que o líquido, de cor verde devido ao níquel, poderá ser usado para “partir” as moléculas do crude, das quais se obtém o gasóleo ou a gasolina, ou para sintetizar, de forma mais rápida, um princípio ativo de um medicamento.

Além disso, adiantou, o facto de ser um líquido que tem na sua base alumínio, um “material biocompatível e resistente”, permite que possa ser transformado num material maleável e ser, eventualmente, usado na criação de implantes, para a substituição de ossos.

Os resultados da investigação foram publicados na revista ACS Nano, especializada em nano materiais.

Da equipa científica fazem ainda parte investigadores da Universidade Osaka Prefecture, no Japão, do Laboratório Rutherford Appleton, no Reino Unido, do Instituto de Química Clermont-Ferrande e do Centro Nacional de Investigação Científica, ambos em França.