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São Tomé e Príncipe

Pobreza e falta de proteção social afeta 70% das crianças de São Tomé

Um relatório do Fundo das nações Unidas para Infância indica que mais de 70% das crianças são-tomenses são pobres e "apresentam maior vulnerabilidade relativamente a situação da proteção social".

André Kosters/LUSA

Um relatório do Fundo das nações Unidas para Infância (Unicef) indica que mais de 70% das crianças são-tomenses são pobres e “apresentam maior vulnerabilidade relativamente a situação da proteção social”.

O documento foi divulgado esta quinta-feira pela representante adjunta da Unicef para São Tomé e Príncipe, Ainhoa Jaureguieitia, que avançou três aspetos deste documento como “os mais preocupantes”.

“O primeiro é a proteção das crianças contra a violência, abuso sexual, negligência, abandono e trabalho infantil. O segundo aspeto é o saneamento. Um grande número de crianças e suas famílias ainda fazem as suas necessidades ao ar livre e o terceiro aspeto é a área da nutrição. Há um nível de anemia bastante elevado”, disse Ainhoa Jaureguieitia.

O relatório da Unicef que analisa da situação das crianças em São Tomé e Príncipe e é produzido de cinco em cinco anos, estabelece também a diferença entre as crianças das diferentes regiões do país e o número de agregados familiar.

Devido à pertinência da situação, a agência da ONU pretende organizar um debate envolvendo representantes da sociedade civil, governantes e a própria população.

A Unicef acredita que é possível encontrar-se “uma melhoria” para o atual quadro “através de uma coordenação multissetorial de todos os ministérios envolvidos, sociedade civil, pais, comunidades e as famílias”.

“Pretendemos chamar a atenção das pessoas com dados reais que temos para ver se encontramos uma solução para o problema das crianças”, sublinha a representante do Unicef.

Em São Tomé e Príncipe as crianças representam cerca de 50% dos 187 mil habitantes do país.

O governo reconhece que “muito ainda resta por fazer de modo garantir às crianças a plenitude dos seus direitos, conferindo-lhes as condições para integrarem positivamente o processo de desenvolvimento económico e social do país”.

Presente na cerimónia de apresentação do relatório, o ministro da Economia e Cooperação Internacional, Agostinho Fernandes, disse ser necessário que não haja enganos “na terapia dos problemas que ainda afligem” as crianças são-tomenses, para não se cometer o erro de se concentrarem os esforços nos efeitos, deixando para trás “as verdadeiras e profundas causas”.

“A maior disponibilidade de dados hoje existente sobre a situação das crianças em São Tomé e Príncipe, fruto dos vários estudos e inquéritos realizados nos últimos anos, oferece aos decisores políticos oportunidades acrescidas de reflexão e adoção de soluções mais consentâneas com os desígnios da Convenção sobre os Direitos das Crianças”, disse também o governante.

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