O governo cubano considerou esta quinta-feira que o afastamento da Presidente do Brasil, Dilma Roussef, constitui um “artifício” organizado por setores da oligarquia brasileira, apoiada “pela grande imprensa reacionária e pelo imperialismo”.

Numa nota enviada às redações, Cuba volta a denunciar o que considera ser um “golpe de Estado parlamentar e judicial, disfarçado de legalidade”, que tem vindo a ser preparado “há alguns meses” contra a Presidente “legitimamente eleita”, Dilma Roussef, substituída, na quinta-feira, pelo vice-Presidente Michel Temer.

“Trata-se, na realidade, de um artifício armado por setores da oligarquia desse país, apoiada pela grande imprensa reacionária e pelo imperialismo, com o propósito de reverter o projeto político do Partidos dos Trabalhadores (PT), derrubar o Governo legítimo e usurpar o poder que não ganhou com o voto”, lê-se no documento.

Para as autoridades de Havana, o que ocorreu na quinta-feira no Brasil “é parte de uma contraofensiva reacionária do imperialismo e da oligarquia contra os governos revolucionários e progressistas da América Latina e das Caraíbas”, o que ameaça a paz e estabilidade das nações, contrariando o espírito e a letra da Declaração de Zona de Paz na região, assinada em janeiro de 2014 na capital cubana.

“A História demonstra que, quando a direita chega ao Governo, não receia desmontar as políticas sociais, beneficiar os ricos, restabelecer o neoliberalismo e aplicar terapias de choque cruéis contra os trabalhadores, mulheres e jovens”, refere-se no comunicado.

“O povo brasileiro, as forças políticas de esquerda e os combativos movimentos sociais no Brasil recusam o golpe e opõem-se a qualquer tentativa para desmantelar os importantes programas sociais desenvolvidos pelos governos do Partido dos Trabalhadores, com Lula (da Silva, ex-presidente) e Dilma à frente”, defende o Governo cubano.

Entre esses programas, destacou, figuram o “Bolsa Família”, “Mais Médicos”, “Minha Casa, Minha Vida”, “Fome Zero”, iniciativas que, segundo o Governo cubano, “mudaram a vida a dezenas de milhões de pessoas”.

“Dilma, Lula, o Partido dos Trabalhadores e o povo brasileiro contarão sempre com toda a solidariedade de Cuba”, concluiu o executivo de Raul Castro.

Michel Temer tornou-se Presidente interino, depois de Dilma Rousseff ter sido afastada temporariamente pelo Senado (câmara alta) por um prazo máximo de 180 dias, por suspeitas de irregularidades orçamentais, como despesas não autorizadas.

Durante este período, o Senado irá julgar Dilma Rousseff num processo presidido por um juiz do Supremo Tribunal de Justiça, mas a chefe de Estado só será afastada definitivamente se for condenada por uma maioria de dois terços dos eleitos daquele órgão.