O ministro do Ambiente, João Matos Fernandes, disse esta sexta-feira que o nascimento de crias de lince-ibérico no Vale do Guadiana, no concelho alentejano de Mértola, é “a prova do sucesso” do programa de reintrodução da espécie em Portugal.

“É, de facto, a prova do sucesso do trabalho que está a ser feito”, desde dezembro de 2014, “e que está a devolver uma espécie a Portugal”, frisou o ministro.

João Matos Fernandes, acompanhado pela secretária de Estado do Ordenamento do Território e da Conservação da Natureza, Célia Ramos, falava aos jornalistas em Mértola, no distrito de Beja, após assistir à libertação do lince-ibérico Mistral.

O animal, nascido no Centro de Reprodução de Zarza de Granadilla, em Espanha, em 2015, foi libertado esta sexta-feira no Monte do Milhouro (Herdade da Sela), tornando-se o 18.º animal da espécie já solto no Parque Natural do Vale do Guadiana, no âmbito do projeto LIFE+Iberlince.

Questionado pelos jornalistas, o ministro do Ambiente, que abriu a porta da jaula em que o animal foi transportado até à herdade, considerou tratar-se de “um momento muito simbólico e de grande importância”.

“Este é um trabalho que começou a ser pensado em 2004” e os linces “começaram a ser soltos desde 2014”, disse o governante, realçando que, “sobretudo, é muito gratificante saber que, além dos 18 linces devolvidos à natureza, já nasceram crias sem ser em cativeiro”.

A 5 de maio, o Instituto da Conservação da Natureza e das Florestas (ICNF) anunciou ter a confirmação da existência da primeira cria de lince-ibérico nascida no Vale do Guadiana, filha da fêmea Jacarandá.

Esta quinta-feira à noite, o ICNF divulgou o nascimento de uma segunda ninhada da espécie, constituída por, pelo menos, duas crias, com cerca de dois meses e filhas da fêmea Lagunilla.

Na cerimónia de libertação desta sexta-feira, João Matos Fernandes revelou que, ao longo deste ano, vão ainda ser soltos na natureza “mais alguns” linces, mas frisou que, neste tipo de processos, recomenda-se cautela.

“Nunca podemos cantar vitória numa coisa destas, é sempre um a um, por isso é que eles também são lançados um a um e continuam a reproduzir-se em cativeiro. Temos que ter sempre aqui muito cuidado com aquilo que fazemos”, ou seja, com a forma como corre a reintrodução da espécie, afirmou.

Questionado sobre se a existência deste animal selvagem em liberdade, na natureza, e a atividade cinegética são compatíveis, o ministro frisou que o programa de reintrodução desta espécie em Portugal é “o melhor exemplo” dessa convivência.

“Esta é uma zona de caça e, por ser uma zona de caça, tem alimento para o lince” e o animal “pode ser aqui lançado, ao contrário de outras” áreas, “até com um valor mais simbólico, onde, por ausência de atividade humana, não existe possibilidade de poder lançar o lince”, argumentou.

O ministro reafirmou esta sexta-feira que o Governo está a preparar um plano para reintroduzir o lince-ibérico na Serra da Malcata, o que poderá acontecer dentro de alguns anos.