O sindicato dos trabalhadores da administração pública (Sintap) não aceita as alterações decididas pelo Governo à tabela de benefícios da ADSE e admite mesmo avançar para a greve. O Sintap até já pediu reuniões ao ministro da Saúde e ao diretor-geral da ADSE.

São “alterações extemporâneas”, garante José Abraão, do Sintap, ao Observador. “Este é dinheiro dos trabalhadores”, lembra, frisando que a ADSE tem um conselho consultivo que não foi ouvido sobre esta matéria. Além disso, frisa, foi constituída uma comissão especializada para estudar a ADSE que ainda não apresentou os resultados do estudo — o prazo só termina em junho.

Em comunicado, enviado esta tarde para as redações, o Sintap revela que solicitou reuniões com o ministro da Saúde, Adalberto Campos Fernandes, e com o diretor-geral da ADSE, Carlos Baptista, no sentido de pedir que as alterações sejam travadas e que todas as mudanças sejam previamente negociadas com os representantes dos trabalhadores. E adianta as consequências, caso não seja atendido pelo Executivo:

Considerarmos, desde já, a realização de todas as formas de luta ao nosso alcance para defender uma ADSE que é dos beneficiários, trabalhadores e aposentados, sendo abusivas as alterações feitas completamente à margem dos interessados.”

O Sintap recusa os argumentos de “racionalidade e de sustentabilidade” para mexer nas condições do subsistema de saúde e na sua relação com os prestadores convencionados até porque, lembra, os beneficiários foram alvo de um “violento aumento das contribuições mensais”. Desde então, a ADSE tem gerado superavit.

Em causa estão alterações à tabela de benefícios, cuja entrada em vigor está prevista já para 1 de junho, que podem resultar em alguns casos num aumento do pagamento a cargo do beneficiário. Conforme noticia esta sexta-feira o Público, uma das alterações passa por deixar a cargo dos beneficiários o pagamento de 20% do preço das próteses colocadas em cirurgias feitas nos hospitais privados. O resultado de todas as alterações será uma poupança de quatro milhões de euros por ano.

O diretor-geral da ADSE garantiu que a alteração vai favorecer os beneficiários em 95% dos casos, mas esse não era o entendimento da Associação Portuguesa de Hospitalização Privada (APHP). Na sequência da notícia, a APHP desafiou Carlos Baptista a “oficializar” o valor indicativo do pagamento que ficará a cargo do beneficiário:

Congratulamo-nos que a ADSE, num cenário de pressão mediática, tenha publicamente corrigido o que, por omissão ou por qualquer outra insondável razão, não consta ainda dos seus documentos oficiais.”

E incitou o Executivo a limitar o copagamento a “200 euros”.