O aumento de vegetação rasteira alimentada pelas chuvas da primavera vai exigir “maior cuidado” na prevenção e combate aos incêndios nos meses quentes, segundo bombeiros e investigadores contactados pela agência Lusa.

Devido à “grande precipitação”, que fez proliferar ervas e outra vegetação fina, “o risco de incêndio florestal é este ano mais elevado” em Portugal, disse o professor Domingos Xavier Viegas, da Universidade de Coimbra (UC).

“É de esperar que venha aí tempo seco e mais quente, podendo haver um risco acrescido”, adiantou o também presidente da Associação para o Desenvolvimento da Aerodinâmica Industrial (ADAI) da Faculdade de Ciência e Tecnologia da UC.

Na sua opinião, “é preocupante a situação em que está a floresta”, sobretudo nas regiões Centro e Norte, tendo em conta que “muita dessa vegetação fina já não irá ser eliminada” antes do tempo habitualmente propício à eclosão dos fogos.

Xavier Viegas realçou, contudo, que os recursos materiais e humanos destinados ao combate “têm-se mostrado cada vez mais eficazes” nos últimos anos.

“Há um esforço e uma melhoria bastante grande na formação e treino dos bombeiros”, exemplificou.

No entanto, a “atitude da população em geral” face ao risco de incêndio “é o principal problema” a enfrentar pelos bombeiros e demais instituições da Proteção Civil.

“É necessário evitar as ignições e os comportamentos de risco. Quando o risco é muito, não há sistema que resista” para debelar as chamas, proteger as pessoas e os bens, afirmou à Lusa o especialista na área dos fogos florestais.

A partir do Laboratório de Estudos sobre Incêndios Florestais, que a ADAI possui na Lousã, distrito de Coimbra, a equipa orientada por Xavier Viegas participa em vários projetos nacionais e internacionais nesta área.

No concelho vizinho de Miranda do Corvo, o comandante operacional municipal, Fernando Jorge, mostra-se também preocupado com o aumento da vegetação rasteira devido à pluviosidade no Centro e no Norte.

“A erva e o mato cresceram bastante, o que é um problema adicional logo que esteja tudo seco”, disse à Lusa.

Na sua ótica, “não é humanamente possível que esteja tudo limpo em tempo útil”, em especial bermas de estradas e caminhos, aceiros da floresta e faixas em redor das povoações.

Na Pampilhosa da Serra, no mesmo distrito, a Câmara Municipal aposta este ano na formação de desempregados que vão integrar equipas de vigilância e combate aos fogos.

Segundo o presidente da autarquia, José Brito, 30 homens e mulheres constituirão 10 grupos, cabendo a cada um deles uma viatura equipada com ‘kit’ de primeira intervenção.

Estes veículos foram oferecidos pelo município às juntas de freguesia, em 2008. “Mas esta é a primeira vez que vamos funcionar desta maneira”, disse.

Entre julho e setembro, estes trabalhadores, formados em colaboração com o Centro de Emprego de Arganil, irão reforçar o dispositivo do Plano Operacional Municipal, que integra Sapadores Florestais, Bombeiros Voluntários e Grupo de Intervenção de Proteção e Socorro (GIPS) da GNR.

Ao longo dos anos, a Pampilhosa foi “muito atingida” pelos fogos, lembrou José Brito, ao dar o exemplo do grande incêndio de 2005, que “destruiu dois terços do território” do concelho.

O autarca salientou, por isso, a importância de um helicóptero ligeiro da Proteção Civil permanecer no concelho, com 15 elementos do GIPS, entre 15 junho e 30 setembro.